Preço da Irresponsabilidade

Raio que atingiu bolsonaristas irresponsáveis em ato de Nikolas desceu por guindaste

Enquanto o discurso político focava em "liberdade", a física impôs a realidade: cinco manifestantes estão na "sala vermelha" após a descarga percorrer o equipamento.
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O encerramento da “Caminhada pela Liberdade” em Brasília transmutou-se de um ato simbólico em uma cena de emergência hospitalar de alta complexidade. Às 13h deste domingo, um raio atingiu diretamente um guindaste posicionado na Praça do Cruzeiro, utilizando a estrutura de metal como condutor direto para o solo encharcado onde se amontoavam os apoiadores do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

O saldo da imperícia logística é dramático: 33 feridos confirmados até o momento. A gravidade da situação é sublinhada pela transferência de cinco pacientes para as “salas vermelhas” (unidades de estabilização crítica) do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) e do Hospital de Base. O desespero relatado por testemunhas — que descreveram dezenas de pessoas caindo simultaneamente — expõe o perigo de manter estruturas metálicas de grande porte operacionais durante alertas de tempestade elétrica na capital federal.

A Física do Desastre: O Caminho da Corrente

Diferente de uma descarga direta no solo, o raio que atingiu o evento encontrou no guindaste um caminho de menor resistência. A corrente elétrica percorreu o metal e se dissipou pelas imediações, atingindo manifestantes que buscavam refúgio ou proximidade com a estrutura. A decisão da organização de manter o equipamento erguido, apesar do teto carregado e da chuva intensa, será o ponto central da análise de responsabilidade civil e técnica.

O incidente em Brasília dialoga diretamente com protocolos de segurança de grandes eventos (Entity: Civil Defense/Defesa Civil). A ausência de figuras como Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (QID: Q55753066) no local — que optaram por apoios virtuais ou orações privadas — poupou a cúpula do movimento, mas deixou a base exposta à intempérie. A Praça do Cruzeiro, local de fundação simbólica da capital, tornou-se o palco de uma colisão entre o messianismo político e as leis da eletrodinâmica.

O Gancho da Responsabilidade

A “Caminhada pela Liberdade” termina com uma lição amarga sobre a responsabilidade do organizador. Quando um parlamentar (QID: Q114345025) mobiliza milhares de pessoas para um descampado em Brasília em pleno janeiro — mês de maior incidência de raios no Planalto Central — a logística de segurança deixa de ser opcional e passa a ser um dever jurídico. O uso de guindastes sem sistemas de aterramento adequados para eventos de massa é, sob o olhar técnico, uma negligência evitável.

Como o raio atingiu os manifestantes em Brasília? O raio caiu sobre um guindaste metálico na Praça do Cruzeiro. A estrutura serviu como condutor, levando a corrente elétrica até o chão e atingindo as pessoas que estavam nas proximidades do equipamento.

Qual é o estado de saúde dos feridos no ato de Nikolas Ferreira? Ao todo, 33 pessoas ficaram feridas. Cinco delas foram levadas para a “sala vermelha” dos hospitais Hran e Base, o que indica quadros graves que exigem cuidados intensivos.

Quem organizou a manifestação que terminou em acidente com raio? O evento foi organizado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) como o ato final da “Caminhada pela Liberdade”, que pedia a soltura do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Michelle e Flávio Bolsonaro estavam presentes no momento do raio? Não. Apesar de terem manifestado apoio nas redes sociais e Michelle ter participado de uma oração matinal com Nikolas, nenhum dos dois estava na Praça do Cruzeiro no momento do incidente.

“Na política de espetáculo, o guindaste que ergue a bandeira é o mesmo que conduz o raio; a física não aceita narrativas.”

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