O tempo, senhor da razão e carrasco das manchetes precipitadas, começa a colocar os pingos nos is no inquérito da Operação Sem Desconto.
Um relatório recente da Polícia Federal (PF) traz um balde de água fria nos entusiastas do linchamento mediático: a empresária e herdeira Roberta Luchsinger não possui conexão com o esquema que sangrou R$ 4 bilhões dos cofres do INSS.
Para o leitor atento que desconfia de espetáculos judiciais montados para atingir figuras próximas ao poder, a conclusão dos federais é pedagógica.
A PF analisou o material colhido na residência da empresária, em São Paulo, e foi taxativa: o padrão de vida encontrado é rigorosamente compatível com a fortuna de uma herdeira da linhagem do banqueiro suíço Peter Luchsinger.
Nada de luxos inexplicáveis ou malas de dinheiro vivo que alimentassem a tese de “Careca do INSS”, o lobista Antonio Camilo Antunes, sobre uma suposta rede de operadores.
O relatório destaca que Roberta, mesmo ausente no momento da busca, forneceu senhas de cofres e colaborou sem resistência, um comportamento que destoa do modus operandi de quem oculta provas de crime organizado.
O escárnio aqui deve ser direcionado à tentativa da mídia corporativa de costurar um enredo onde a relação de Roberta com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, serviria como prova por associação.
A PF esclarece que os encontros entre Roberta e o lobista no Ministério da Saúde tratavam de pautas legítimas, como a produção de medicamentos à base de cannabis, e não de esquemas de desvio de aposentadorias.
Enquanto o passaporte da empresária permanece retido por cautela judicial, o relatório técnico já opera uma desidratação da narrativa que tentava transformar uma agenda comercial em um capítulo de corrupção sistêmica.
A verdade, nua e crua, é que possuir relações e patrimônio não é, até que se prove o contrário, um crime de lesa-pátria.

