O “monólito” da direita brasileira, que outrora desfilava uma união de conveniência sob o manto do autoritarismo, agora se esfarela em praça pública como um castelo de cartas em plena ventania.
O deputado federal Marcos Pereira, presidente do Republicanos, resolveu chutar a mesa e deixar claro que o apoio a Flávio Bolsonaro para 2026 não é apenas incerto — é, no momento, uma ficção política.
Para o trabalhador que entende que a política é uma eterna luta de interesses travestida de ideologia, o espetáculo oferecido pelo Centrão e pelo bolsonarismo raiz é uma aula de como o poder devora seus próprios filhos.
Pereira não apenas negou o fechamento de fileiras em torno do “Filho 01”, como fez questão de listar os herdeiros que já afiam as facas: Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Ratinho Jr.
O recado é pedagógico: o espólio político de Jair Bolsonaro está sendo retalhado antes mesmo do corpo político do ex-presidente esfriar no tribunal da inelegibilidade.
O que vemos é a direita radical descobrindo, da pior forma possível, que o Centrão não tem amigos, apenas sócios — e a sociedade com o clã Bolsonaro está dando prejuízo.
O ápice do escárnio, contudo, veio na resposta às investidas de Eduardo Bolsonaro contra o governador Tarcísio de Freitas.
Ao ouvir do “03” que Tarcísio seria apenas um “servidor desconhecido” alçado ao poder pelo patriarca, Marcos Pereira subiu o tom com uma precisão cirúrgica que beira a sátira política: chamou Eduardo de “arrogante” e lembrou ao público sua real estatura burocrática — um escrivão da Polícia Federal que, nas palavras do dirigente, comporta-se como um “fugitivo” em solo americano.
A máscara da “família cristã e patriota” cai para revelar o que o Diário Carioca sempre apontou: uma gangue de oportunistas que agora briga pelo controle do cofre e da narrativa, enquanto o governador de São Paulo tenta se equilibrar entre a lealdade ao “padrinho” e a sobrevivência institucional.

