A prisão do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), nesta quarta-feira (03), não surpreende ninguém que acompanha a crônica policial travestida de política no Rio de Janeiro. O estado, que há anos transforma a cadeia em extensão natural do plenário, adiciona mais um nome ao seu estoque de parlamentares encrencados.
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Bacellar foi detido pela Polícia Federal sob suspeita de vazar informações sigilosas da operação que levou à prisão do deputado TH Joias — uma performance típica do roteiro carioca que mistura poder, investigação e um talento quase artístico para o escândalo.
O episódio reacende memórias pouco saudosas. Em 2017, Jorge Picciani (MDB), então presidente da Casa, foi preso por corrupção. No mesmo ano, Paulo Melo (MDB), outro ex-presidente, também caiu. A dobradinha das operações Cadeia Velha e Furna da Onça, braços da Lava Jato, escancarou um “mensalinho” para garantir apoio ao ex-governador Sérgio Cabral — uma farra institucionalizada. Resultado: mais de uma dezena de deputados às voltas com a Justiça.
Deputados estaduais da Alerj já presos
- Rodrigo Bacellar (União Brasil)
- Jorge Picciani (MDB)
- Paulo Melo (MDB)
- Edson Albertassi (MDB)
- TH Joias (MDB)
- André Corrêa (DEM)
- Chiquinho da Mangueira (PSC)
- Luiz Martins (PDT)
- Marcos Abrahão (Avante)
- Marcus Vinícius “Neskau” (PTB)
- Coronel Jairo (Solidariedade)
- Marcelo Simão (PP)
Deputados federais do Rio já presos
- Eduardo Cunha (MDB) — condenado na Lava Jato
- Celso Jacob (MDB) — fraudes em licitação
- Flordelis (PSD) — acusada de envolvimento na morte do marido
- Chiquinho Brazão (sem partido) — apontado como mandante do assassinato de Marielle Franco
No Rio, a fronteira entre o Parlamento e o sistema penitenciário segue fina — tão fina que, às vezes, é preciso conferir se a “Casa” mencionada na notícia é a Alerj ou Bangu.

