O Carnaval carioca de 2026, embora seja a maior manifestação de alegria e resistência cultural do país, enfrenta um inimigo invisível e implacável: a crise climática.
Diante das ondas de calor extremo que castigam a capital, a deputada estadual Dani Monteiro (PSOL) tomou a frente de uma demanda que deveria ser óbvia, mas que o capital privado insiste em ignorar.
Em ofício enviado à concessionária Águas do Rio, a parlamentar exigiu a instalação de pontos de hidratação gratuitos para foliões e, especialmente, para os trabalhadores informais que sustentam a festa.
A iniciativa, assinada em conjunto com o deputado federal Pastor Henrique Vieira, retira o acesso à água do campo da caridade e o coloca onde ele pertence: no campo dos Direitos Humanos. Para o trabalhador ambulante que passa horas sob o sol inclemente da Avenida, a água potável é a diferença entre a sobrevivência e o colapso.
Dani Monteiro propõe que cada estação de metrô funcione como um oásis público, garantindo que a festa não seja um privilégio de quem pode pagar por garrafas plásticas superfaturadas.
O escárnio aqui é pedagógico: em uma cidade onde o lucro das concessionárias de saneamento atinge recordes, a distribuição de água potável em grandes eventos ainda é tratada como “favor”.
A deputada reforça que a gestão da crise climática exige responsabilidade social e que o bem-estar do povo deve sobrepor-se à lógica da mercadoria.
O pedido inclui também estruturas de higiene para os ambulantes, reconhecendo a dignidade daqueles que movimentam a economia fluminense.
Se o Carnaval é o coração do Rio, a água é o sangue que precisa circular para manter esse coração batendo, sem que ninguém seja sacrificado pelo calor em nome da folia.

