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Projeto protecionista de deputado do PL articula “fura-fila” educacional para filhos de policiais

Por JR Vital Analista Geopolítico

Enquanto a educação pública fluminense agoniza sob o calor senegalês e a precariedade de infraestrutura, a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) dedica-se a pavimentar o caminho para a criação de uma “nobreza fardada” nas salas de aula.

O Projeto de Lei 19/2023, de autoria do deputado bolsonarista Alan Lopes (PL), avançou nas comissões e prepara o terreno para que filhos de policiais e bombeiros tenham prioridade absoluta na rede pública.

Não se trata de uma política de cotas para quem mais precisa, mas de um salvo-conduto ocupacional que permite a escolha da unidade escolar “ao gosto do freguês”, atropelando o planejamento das secretarias e a fila de espera de milhares de famílias civis.

A justificativa do parlamentar é o clássico espantalho da “segurança dos menores” devido à profissão dos pais.

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Sob essa ótica, o Estado admite sua incapacidade de garantir a segurança pública para todos e decide, então, lotear as vagas em creches e escolas como uma espécie de “gratificação em espécie” para a categoria.

A proposta é o ápice do segregação estatal: divide as crianças entre as que têm “sangue azul” operacional e as “comuns”, que devem se contentar com o que sobrar das sobras.

O projeto já recebeu o sinal verde das comissões de Constituição e Justiça, Educação e Segurança Pública, o que revela um alinhamento corporativista perigoso na Alerj. As sessões retornam em 3 de fevereiro, e a expectativa é que a bancada da bala pressione pela aprovação célere. A “Navalha Carioca” não treme: ao transformar o direito à educação em um privilégio de classe profissional, a Alerj não protege crianças; ela institucionaliza o apartheid social no Rio de Janeiro.

O Ranking da Prioridade: A Educação como Espólio

Se aprovado, o PL 19/2023 altera a lógica de distribuição de vagas, colocando o critério profissional acima de necessidades pedagógicas ou de renda:

Beneficiários DiretosAlcance do BenefícioJustificativa do Autor
Filhos de PMs, Civis, Penais e Bombeiros.Fundamental, Médio e Creches Estaduais.“Risco e vulnerabilidade” pela profissão dos pais.
Poder de EscolhaUnidade próxima à residência ou escolha livre.Garantia de conveniência familiar para a tropa.
Impacto na RedeDeslocamento de vagas para civis.Quebra da isonomia do Estado Laico e Democrático.

O Corporativismo Escolar

O Rio de Janeiro de Alan Lopes e seus pares parece querer reviver o feudalismo, onde a proximidade com o “braço armado” do senhorio garante as melhores terras — ou, neste caso, as melhores creches. É uma proposta estúpida por definição, pois não resolve a insegurança dos agentes, apenas cria um abismo de ressentimento entre a população e as forças de segurança.

A educação, pilar da justiça e equidade, não pode ser usada como moeda de troca para agradar bases eleitorais da segurança pública. Enquanto um filho de trabalhador informal precisa cruzar a cidade ou contar com a sorte de um sorteio eletrônico, o filho do Estado-Policial terá o tapete vermelho estendido por lei. Se a segurança é o problema, que se protejam as escolas; se a vaga é o problema, que se construam colégios. O que não se pode permitir é que a farda vire o novo critério de mérito para o acesso ao saber.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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