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Tensão

China cobra Reino Unido por mega-embaixada em Londres

Após aprovação, Pequim afirma que Londres tinha “obrigação” de autorizar o maior complexo diplomático do país.

Por JR Vital Analista Geopolítico e Vanessa Neves Analista Política
Londres

A embaixada que virou símbolo de tensão

O Reino Unido deu luz verde a um projeto que tem irritado ativistas, grupos de direitos humanos e parte do próprio governo britânico há quase uma década: a construção de uma mega-embaixada chinesa em Londres. O local escolhido, Royal Mint Court, fica perto da Torre de Londres e tem 20.000 metros quadrados — o que o tornará o maior complexo diplomático do Reino Unido em área e um dos maiores no centro de uma capital ocidental.

A China, por sua vez, reagiu como se tivesse recebido uma concessão de direito natural. Um dia após a aprovação, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Guo Jiakun, declarou que o Reino Unido tinha “obrigação” de permitir a construção. Em outras palavras: para Pequim, o país anfitrião não pode dizer não.

A frase pode parecer diplomática, mas carrega uma mensagem clara: o Estado chinês não vê essa negociação como política, mas como uma obrigação internacional. E, na prática, essa é uma forma de dizer que Londres não deveria ter demorado sete anos para aprovar o projeto.

O atraso que irritou Pequim

Os planos foram anunciados em 2018, quando a China comprou o terreno por 225 milhões de libras (259 milhões de euros). Desde então, o projeto passou por uma série de obstáculos, que Pequim interpretou como “politização” e complicação deliberada.

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A demora de sete anos, para a China, é uma afronta. E para o Reino Unido, é uma prova de que a construção de uma embaixada não é apenas uma questão de arquitetura, mas de segurança e soberania.

A China, por sua vez, insiste que a aprovação é um dever do país anfitrião. O que está implícito na afirmação é que o Estado britânico estaria, na prática, obrigado a aceitar o projeto independentemente das controvérsias internas.

O que os opositores temem

As objeções não são meramente simbólicas. Elas se baseiam em riscos concretos, que incluem:

  • Espionagem e perseguição a dissidentes: grupos de direitos humanos temem que o complexo seja usado para monitorar e intimidar chineses no Reino Unido.
  • Proximidade de cabos de fibra ótica: o local fica perto de cabos que transportam dados financeiros sensíveis entre os dois principais distritos financeiros de Londres, o que pode gerar vulnerabilidades de segurança.

A questão é simples: um país pode construir um complexo diplomático gigantesco no coração de Londres, mas isso não significa que o Reino Unido deva ignorar os riscos estratégicos.

A decisão pode ser contestada

O ministro da Habitação britânico, Steve Reed, afirmou que a decisão é definitiva. Ainda assim, os residentes de Londres prometem buscar contestações legais. O caso, portanto, não está encerrado — e pode continuar se desenrolando nos tribunais, com impacto direto na imagem política do governo Starmer.

Relações bilaterais em um momento delicado

Os laços entre China e Reino Unido foram profundamente tensionados durante o governo conservador anterior. O novo governo trabalhista de Keir Starmer, eleito em 2024, tenta reaproximar-se da potência econômica. Starmer deve visitar a China ainda este mês, e a aprovação da embaixada pode ser vista como um gesto de boa vontade.

Mas há um ponto inevitável: a relação entre os dois países não é apenas econômica. É também de segurança. E nesse terreno, o ministro da Segurança britânico, Dan Jarvis, foi direto: a China continua a representar uma ameaça à segurança nacional do Reino Unido.

A embaixada como símbolo de poder

Mais do que um prédio, a nova embaixada é um símbolo. Ela representa a ambição chinesa de ampliar sua presença global, inclusive em capitais ocidentais. Para o Reino Unido, aceitar o projeto é também uma forma de reconhecer o peso político e econômico de Pequim — mas sem abrir mão de sua soberania e de sua segurança.

O Reino Unido, portanto, está diante de um dilema clássico de política externa: equilibrar interesses econômicos e pressões diplomáticas com a proteção de sua integridade estratégica.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

Vanessa Neves

Vanessa Neves é Jornalista, editora e analista de mídias sociais do Diário Carioca. Criadora de conteúdo, editora de imagens e editora de política.

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