O que você precisa saber agora
- Fato central O governo Lula identifica a ameaça de Trump à Groenlândia como uma ruptura definitiva com as normas de soberania do pós-guerra.
- Evidência Relatórios internos do Itamaraty apontam que a passividade global diante do saque de petróleo na Venezuela encorajou a expansão territorial americana.
- Impacto Brasília articula resistência multilateral, temendo que a normalização da “compra forçada” de países coloque recursos naturais brasileiros em xeque.
Embora o presidente Lula mantenha o silêncio estratégico dos chefes de Estado, o nervosismo que emana do Palácio do Planalto é audível nos corredores do Itamaraty. A equipe de assessoria internacional de Lula não descarta que Donald Trump utilize a força para tomar a Groenlândia, elevando a temperatura de um Ártico que já ferve sob a ganância extrativista. Para os interlocutores de Lula, a “ação drástica” mencionada por Washington não é uma metáfora econômica, mas a descrição de uma bota militar pisando em solo dinamarquês. O governo brasileiro, calejado pelo realismo geopolítico, prefere “superlativizar o risco” a ser pego de surpresa pela próxima invasão ianque.
A análise que chega à mesa de Lula é de que a União Europeia, acuada entre a pressão russa a Leste e a truculência americana a Oeste, vive seu momento de maior fragilidade desde o pós-guerra. O grupo de conselheiros de Lula observa com preocupação que a ausência de respostas contundentes ao saque financeiro e territorial na Venezuela serviu de laboratório para Trump. Se a soberania sul-americana pôde ser violada sem grandes sobressaltos, por que o “xerife do mundo” respeitaria o gelo da Dinamarca? A única trava vista por Brasília não é moral, mas eleitoral: o risco de um impeachment caso o equilíbrio no Congresso americano mude.
| Ator Político | Ação / Percepção | Risco Projetado pelo Planalto |
|---|---|---|
| Donald Trump | Ameaça de “ação drástica” e tarifas de até 25%. | Intervenção militar direta ou anexação forçada. |
| União Europeia | Retaliação comercial de € 93 bilhões contra os EUA. | Ruptura definitiva da aliança militar ocidental. |
| Governo Lula | Avaliação de cenário via assessoria técnica. | Normalização do desrespeito à soberania nacional. |
A equipe de Lula percebe que Trump não opera pela lógica do comércio, mas pela lógica da conquista. Enquanto a Europa tenta salvar sua dignidade com planilhas de tarifas, Brasília observa que o império já não se importa com as aparências. A verdade nua e crua, que os auxiliares de Lula digerem com amargura, é que a soberania dinamarquesa tornou-se tão volátil quanto o preço do petróleo em Caracas. Se a força for usada no Ártico, o mapa-múndi passará a ser desenhado com a ponta de uma baioneta.
A cautela de Lula diante de um mundo sem regras
Nos bastidores, diplomatas próximos a Lula avaliam que a reunião de emergência em Bruxelas, convocada pelo Chipre, é um ensaio de orquestra enquanto o navio afunda. O governo brasileiro monitora o endurecimento da posição de Ursula von der Leyen com ceticismo; para Brasília, o “barreirismo econômico” pode ser o fósforo que Trump espera para incendiar o Ártico de vez. A equipe lulista entende que o Brasil, como líder do Sul Global, não pode ignorar que o método Trump — o uso da força disfarçado de necessidade estratégica — é uma ameaça existencial para qualquer nação com recursos naturais abundantes.
Escalada da Crise
Probabilidade de agravamento segundo assessores do Planalto
A variável que Lula e seus assessores mais observam é o cenário interno dos EUA. Sem uma mudança no Congresso, Trump tem o caminho livre para agir como um monarca absoluto sobre o gelo alheio. Para o governo brasileiro, o que está em jogo em Davos e Bruxelas não é apenas o mercado de bacalhau ou minérios, mas a sobrevivência do conceito de Direito Internacional que o imperialismo de Trump parece decidido a triturar.





