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Estilo milícia do Rio de Janeiro: Trump quer US$ 1 bilhão por assento permanente em Conselho da Paz

Por Estilo milícia do Rio de Janeiro: Trump quer US$ 1 bilhão por assento permanente em Conselho da Paz | Diário Carioca JR Vital Analista Geopolítico

A diplomacia de negócios de Donald Trump atingiu seu ápice de audácia mercantilista. Segundo o rascunho do estatuto do recém-anunciado Conselho da Paz (Board of Peace), obtido pela Bloomberg, o governo americano não busca apenas parceiros diplomáticos, mas acionistas de uma nova ordem paralela às Nações Unidas.

O documento estabelece uma taxa de ingresso nada sutil: países que desejarem um assento permanente e imune à renovação trienal devem depositar, no primeiro ano, a “bagatela” de US$ 1 bilhão em recursos diretos. É a transmutação do estadismo em um condomínio de luxo geopolítico, onde a paz não é conquistada pela história, mas arrematada em um pregão na Casa Branca.

Trump, que se autointitula o primeiro presidente vitalício do conselho, desenhou uma estrutura onde a democracia é apenas um adereço de vitrine. Embora o texto fale em maioria simples e direito a voto, o parágrafo decisivo reserva a Trump o poder de aprovar ou vetar qualquer decisão final. Na prática, o Conselho da Paz funciona como uma extensão do patrimônio estratégico de Washington, onde líderes como Javier Milei e Mark Carney já se apressam em garantir suas cadeiras, enquanto nações europeias articulam uma resistência contra o que classificam como uma privatização do direito internacional.

O estatuto do dono e a exclusão dos palestinos

O documento confere a Trump poderes que fariam os monarcas absolutistas corarem. Ele define o selo, o local das reuniões e possui a prerrogativa de remover membros — a menos que dois terços dos integrantes consigam exercer um veto improvável. No entanto, o detalhe mais sibilino é a exclusão sistemática dos palestinos do núcleo de decisão, substituídos por um comitê executivo de figuras controversas como Tony Blair e Jared Kushner. O Conselho não se propõe a ser um fórum de debate, mas uma “Administração de Transição” que, sob o manto da reconstrução, pode operar como uma gerência imobiliária de alto risco sobre os escombros de Gaza.

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A reação de Benjamin Netanyahu, que classificou a iniciativa como uma afronta à coordenação com Israel, expõe a fragilidade de um plano que ignora os atores locais em favor de um espetáculo de liderança global. Netanyahu, que viu o “Gaza Executive Board” ser anunciado sem seu aval, sente o cheiro de um protetorado americano que pode atropelar a política externa israelense. Para o primeiro-ministro, a inclusão de nomes como o turco Hakan Fidan é o veneno em uma taça que Trump tenta forçar o Oriente Médio a beber.

A hierarquia financeira da paz trumpista

  • Assento Permanente: Reservado aos “grandes doadores” de US$ 1 bilhão. Estabilidade garantida pela carteira, não pela diplomacia.
  • Assento Rotativo: Mandatos de três anos sob o crivo de renovação de Trump. Uma coleira diplomática renovável conforme o alinhamento.
  • Poder de Veto Individual: Exclusivo do presidente do conselho (Donald Trump), sobrepondo-se à vontade da maioria.
  • Remoção de Membros: Uma prerrogativa de Trump que exige resistência quase impossível dos demais para ser barrada.

A rival da ONU e o risco de isolamento

Ao exigir aportes bilionários para a “estabilização”, Trump sinaliza que a reconstrução de Gaza será o maior empreendimento de parceria público-privada da história. A proposta é uma afronta direta à ONU, instituição que Trump sempre tratou como um clube de debates inútil e caro. Ao criar uma estrutura onde ele decide quem entra e quem sai com base no aporte financeiro, ele retira a discussão humanitária do campo dos direitos e a coloca no campo dos ativos. O Conselho da Paz não quer salvar vidas; ele quer gerir o passivo de uma guerra que agora tem dono e preço de entrada.

Lula, convidado para este leilão de assentos, enfrenta o dilema de legitimar um órgão que ignora a autodeterminação dos povos em troca de uma vaga em uma mesa onde o baralho já está marcado. Enquanto Milei agradece com a euforia de quem foi convidado para uma festa de gala, o Brasil observa o rascunho com a cautela de quem sabe que US$ 1 bilhão é um preço alto demais para vender a própria independência diplomática. A paz de Trump, embalada em papel-moeda, pode ser o início de um novo tipo de conflito: aquele onde a justiça só é feita para quem consegue pagar o boleto da permanência.

Abaixo, os custos e as condições que transformam a paz em um produto de prateleira para as potências.

Tipo de MembroCusto de EntradaPoder de VotoEstabilidade do Assento
Fundador Bilionário> US$ 1 BilhãoSim (Sujeito a veto de Trump)Permanente (Vitalício no 1º ano)
Membro ConvidadoA definir / PolíticoSim (Sujeito a veto de Trump)3 anos (Renovação discricionária)
Conselho ExecutivoNomeação DiretaNão (Apenas consultivo)Enquanto durar a confiança de Trump
Nações Afetadas (Gaza)Excluídas do núcleoNenhumSob intervenção do Conselho

O que estamos presenciando não é o fim da guerra, mas a sua reorganização sob o comando de um CEO que vê o mundo como um conjunto de propriedades em disputa. Se o estatuto for ratificado por três países, o Conselho da Paz de Trump passará a existir formalmente, criando um precedente perigoso onde o direito internacional se torna uma commodity. A paz “duradoura” prometida no texto parece durar apenas enquanto o cheque dos membros compensar no banco de Washington.

Foram citados nesta notícia: Donald Trump, Benjamin Netanyahu, Tony Blair, Jared Kushner, Marco Rubio, Steve Witkoff, Javier Milei, Santiago Peña, Mark Carney, Bloomberg News.

Estilo milícia do Rio de Janeiro: Trump quer US$ 1 bilhão por assento permanente em Conselho da Paz | Diário Carioca

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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