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Regra, impostos, reality

A lei que vai ‘expulsar’ o “influencer” do Brasil (ou obrigá-lo a virar empresa)

Por A lei que vai 'expulsar' o “influencer” do Brasil (ou obrigá-lo a virar empresa) | Diário Carioca JR Vital Analista Geopolítico

A Lei 15.325/2026 não apenas muda um nome; ela transforma o mercado de criadores digitais em um setor profissionalizado, com regras, impostos e responsabilidades legais. O “influencer” deixa de ser um rótulo genérico e passa a ser um “profissional multimídia” — com carteira, contabilidade e consequências.

A Lei 15.325/2026 chega como um tapa no rosto do mercado digital: o que antes era “jeito de ser” vira obrigação legal. O termo “influenciador” perde o status de marca e passa a ser uma função formal, com parâmetros e limites. O Brasil, que se orgulha de transformar tudo em espetáculo, agora tenta transformar o espetáculo em profissão. E, como toda profissão, ela tem imposto, burocracia e risco.

A mudança mais contundente é tributária. Toda publicidade em redes sociais passa a ser considerada atividade econômica tradicional. Isso significa que o dinheiro que circulava fora do radar fiscal, por meio de “parcerias informais”, agora terá que entrar em nota, declaração e contabilidade. Quem acha que “influencer” é sinônimo de liberdade, vai descobrir que liberdade não paga imposto.

Além disso, a lei amplia a responsabilização jurídica. Criadores passam a responder por contratos, acordos comerciais e pelo conteúdo publicado. O discurso de “amadorismo” como escudo deixa de funcionar: quando há impacto econômico e social, a informalidade vira fraude, ou ao menos, irregularidade.

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O novo mercado de influência Análise de Poder
ElementoDescriçãoImpacto
TributaçãoPublicidade passa a ser atividade econômica tributável.Reduz informalidade e elimina perfis sem estrutura.
Responsabilidade jurídicaContratos e conteúdo passam a gerar responsabilidade legal.Amadorismo deixa de ser escudo; risco aumenta.

O ponto mais curioso é que a legislação ignora o que realmente importa no debate público sobre redes sociais: ética, dever social e combate à desinformação. A lei regula a estrutura econômica, mas deixa o campo ideológico livre para a selvageria. Em outras palavras: ela controla o bolso, mas não controla o veneno.

O efeito político e cultural é previsível: o mercado será enxugado. Perfis sem estrutura mínima desaparecerão ou se transformarão em “microempresas” com contador e CNPJ. A nova regra deve privilegiar quem já tem equipe, agência, recursos e contrato formal. O “influencer de quarto” perde espaço. E a indústria digital, que se alimenta de superficialidade, será forçada a se profissionalizar — ou a morrer.

No fim, o que a lei faz é simples: ela tira o improviso do palco e entrega o microfone a quem tem ficha limpa. A pergunta que fica é se a sociedade brasileira está pronta para ver o conteúdo digital como trabalho sério, ou se prefere continuar aplaudindo o caos bem produzido.

Influência vs. Formalidade

Comparação do impacto antes e depois da lei no mercado digital.

Antes Depois
A lei que vai 'expulsar' o “influencer” do Brasil (ou obrigá-lo a virar empresa) | Diário Carioca

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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