A elite financeira acaba de entregar o seu veredito semanal: o Brasil deve continuar no soro fisiológico. O novo Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, trouxe um recuo irrelevante na inflação de 2026 — de 4,05% para 4,02%. É a senha que os rentistas precisavam para manter a Selic no patamar pornográfico de 15%. É o controle da inflação pelo extermínio da atividade econômica.
O que você precisa saber agora
- Fato central Projeção da inflação para 2026 recua para 4,02%, mas juros seguem travados em 15%.
- Evidência Quarta semana seguida de Selic no nível mais alto desde 2006, asfixiando o crédito.
- Impacto Crescimento do PIB estagnado em 1,8%, enquanto a transferência de renda para bancos bate recordes.
Não há eufemismo que esconda a tragédia: com juros de 15%, não existe investimento, não existe casa própria e não existe futuro para o pequeno empreendedor. O Banco Central opera como uma extensão do conselho de administração dos grandes bancos, usando a desculpa de uma inflação “dentro do limite” para manter o país ajoelhado. O dólar a R$ 5,50 e o PIB nanico de 1,8% completam o cenário de uma nação que desistiu de crescer para virar um paraíso fiscal para o capital vadio.
| Indicador | Projeção 2026 | O que significa na prática |
|---|---|---|
| IPCA (Inflação) | 4,02% | Recuo cosmético para fingir controle. |
| Selic (Juros) | 15,00% | Assalto institucionalizado ao bolso do povo. |
| PIB | 1,80% | O país andando para trás em passos lentos. |
O que os tecnocratas chamam de “ancoragem de expectativas” é, na verdade, um cerco militar contra o consumo das famílias. Ao manter a Selic no topo do mundo, o BC não está combatendo a alta dos preços dos alimentos — que pouco dependem da taxa de juros e muito da logística e do câmbio —, mas sim garantindo que o Estado brasileiro continue transferindo bilhões de reais todos os meses para o bolso de meia dúzia de detentores da dívida pública. É a política do Robin Hood às avessas: tira-se do investimento em saúde e educação para alimentar a gula do sistema financeiro.
Enquanto o mundo discute inteligência artificial e soberania energética, o Brasil discute se o IPCA vai ser 4,02 ou 4,05. Essa miopia intelectual é estratégica. Mantém-se o povo ocupado com décimos de inflação enquanto a estrutura produtiva do país apodrece. Não há soberania possível com uma taxa de juros que inviabiliza qualquer projeto industrial de longo prazo. Somos, em 2026, uma economia rentista com fachada de democracia, onde o voto decide o presidente, mas o mercado decide se você vai conseguir pagar o seu cartão de crédito no final do mês.
A estabilidade que o Banco Central persegue é a paz dos cemitérios. Estabiliza-se a moeda matando o consumo; controla-se o índice asfixiando o trabalhador. Enquanto o Boletim Focus for o guia supremo da nossa economia, o Brasil continuará sendo o país do futuro que nunca chega, preso em um presente de juros altos e sonhos baixos. É hora de romper com o consenso de Brasília e exigir uma economia que sirva à vida, e não ao balancete trimestral dos bancos.





