Após uma odisseia diplomática que atravessou um quarto de século, o entendimento entre o Mercosul e a União Europeia finalmente deixou de ser uma miragem para se tornar uma realidade jurídica e comercial de peso global.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, não poupou superlativos ao definir a assinatura como um “feito histórico”, um movimento que transcende a mera troca de mercadorias para se posicionar como um manifesto de sanidade em um tabuleiro internacional fragmentado por protecionismos e guerras comerciais.
Para o líder paraguaio, o pacto é o sinal mais nítido de que a cooperação ainda é a ferramenta mais eficaz para o crescimento econômico sustentável em um cenário de tensões crescentes.
Santiago Peña, um economista de formação que compreende as engrenagens finas do mercado internacional, destacou que a união entre esses dois blocos gigantescos prova que o diálogo é o único caminho possível para a prosperidade mútua.
As negociações, que se arrastavam por mais de 25 anos, foram marcadas por avanços e recuos que muitas vezes flertaram com o descrédito absoluto.
Contudo, a persistência estratégica paraguaia somada ao novo fôlego diplomático brasileiro permitiu que as dificuldades, antes consideradas intransponíveis, fossem finalmente superadas em prol de um mercado comum que abrange centenas de milhões de consumidores de ambos os lados do Atlântico.
A liderança de Lula como catalisador da integração regional
Em um gesto de elegância diplomática e reconhecimento factual, Peña foi enfático ao atribuir o sucesso do acordo à liderança do presidente brasileiro.
Segundo o mandatário paraguaio, a conclusão deste pacto não teria sido possível sem o papel central de Lula na integração regional.
Enquanto o golpista Bolsonaro isolou o Brasil e transformou o Mercosul em um estorvo ideológico para satisfazer interesses mesquinhos, Lula retomou a tradição do Itamaraty de construir pontes e exercer um “soft power” que recuperou a confiança dos negociadores europeus em Bruxelas.
A figura de Lula emergiu como o fiador de um compromisso ambiental e social que a Europa exigia para assinar o documento final.
O presidente brasileiro conseguiu desatar os nós que impediam o avanço das cláusulas de salvaguarda, garantindo que o desenvolvimento econômico não ocorresse às custas da devastação da Amazônia ou do Pantanal — pautas que eram tratadas com desprezo pelo governo anterior.
Peña reconhece que a autoridade moral de Lula foi o diferencial necessário para que os líderes europeus voltassem à mesa com propostas concretas e vontade política real de fechar o negócio.
Divergências entre a estagnação do passado e o avanço presente
- Isolacionismo vs. Multilateralismo: O governo anterior via o bloco como uma amarra; a gestão atual o utiliza como uma alavanca de poder global.
- Negligência Ambiental vs. Sustentabilidade: A destruição da floresta sob o golpista travou o acordo; o compromisso de Lula o destravou.
- Ideologia vs. Pragmatismo: Onde antes se buscava o alinhamento com interesses autoritários, agora busca-se a expansão de mercados.
O alerta contra a autocomplacência e as lições do atraso
Apesar da euforia, Santiago Peña manteve o discernimento ao alertar que o Mercosul não pode se permitir a autocomplacência. Ele lembrou que o tempo perdido ao longo desses 25 anos representou oportunidades de ouro que se esvaíram entre dedos de governantes menos comprometidos com o futuro da região.
O atraso na conclusão do acordo permitiu que outras áreas do globo ocupassem espaços que poderiam ser explorados pela indústria e pelo agronegócio sul-americano muito antes, caso a diplomacia não estivesse sob o tacão do obscurantismo em períodos recentes.
A implementação do acordo exigirá agora uma modernização estrutural das economias do bloco. Para Peña, não basta assinar o papel; é preciso que o Mercosul se torne um mercado interno integrado de fato, eliminando as barreiras burocráticas que ainda travam o comércio entre vizinhos.
O pacto com a Europa deve servir de espelho para que a integração regional brasileira, paraguaia, uruguaia e argentina deixe de ser um discurso de palanque e se transforme em infraestrutura física e jurídica compartilhada, elevando o padrão de vida das massas.
Abaixo, os pilares que sustentam este novo momento das relações transatlânticas e as expectativas para os próximos anos.
| Eixo do Acordo | Impacto Esperado no Mercosul | Papel da Liderança Brasileira | Desafio para o Paraguai |
| Acesso a Mercados | Redução gradual de tarifas para produtos agrícolas e industriais. | Garantia de cotas justas para o agronegócio sustentável. | Diversificação da pauta exportadora além da energia e soja. |
| Padrões Ambientais | Alinhamento com o Pacto Ecológico Europeu (Green Deal). | Recuperação da credibilidade internacional em política climática. | Implementação de certificações de origem rigorosas. |
| Compras Públicas | Abertura de licitações para empresas dos dois blocos sob reciprocidade. | Proteção estratégica de setores industriais sensíveis. | Atração de investimentos estrangeiros em infraestrutura. |
| Cooperação Técnica | Transferência de tecnologia e padrões de segurança alimentar. | Liderança em fóruns de pesquisa e desenvolvimento regional. | Capacitação de pequenas e médias empresas para exportação. |
O acordo Mercosul-União Europeia é, antes de tudo, uma vitória do humanismo diplomático sobre a barbárie do isolamento. Ao elogiar Lula, Peña apenas ratifica o que os números e a história já começam a registrar: o Brasil voltou a ser o motor da América Latina.
O Diário Carioca celebra este feito histórico, mas permanecerá vigilante para garantir que os benefícios dessa integração cheguem à base da piramide social, e não apenas aos balanços contábeis das grandes corporações transnacionais. A paz e o crescimento se constroem com soberania, não com submissão aos ditames de quem despreza a democracia.
Foram citados nesta notícia: Santiago Peña, Lula, Mercosul, União Europeia, Itamaraty.





