O acordo foi fechado com a frieza de quem prefere mandar no tabuleiro a correr riscos no dado. Sóstenes Cavalcante, que só registrou a venda de um imóvel 11 dias depois de a polícia federal apreender mais de R$ 400 mil em sua casa, em um saco, dentro de um armário, permanecerá na liderança do PL na Câmara em 2026, ano eleitoral, e abandona o projeto de disputar o Senado pelo Rio.
A decisão, costurada com Valdemar Costa Neto e com o senador Flávio Bolsonaro, reorganiza o eixo de poder do partido e entrega um recado claro: liderança hoje vale mais do que mandato amanhã. No bolsonarismo, nada é casual; tudo é cálculo.
A recondução preserva um ativo essencial para o PL: comando de bancada, exposição diária e capacidade de vocalizar a pauta dura contra o governo Lula e o Judiciário. Sóstenes foi útil nesse papel — inclusive ao tensionar a narrativa sobre os condenados do 8 de janeiro — e o partido optou por mantê-lo como operador central. Em troca, o deputado abre mão do Senado e mira votação recorde à Câmara, ancorado na vitrine que a liderança oferece.
O pano de fundo é a estratégia da família Bolsonaro. Flávio assume o papel de porta-voz enquanto Jair Bolsonaro, o golpista, segue preso em Brasília, segundo a própria narrativa que circula no entorno do PL. O partido fecha fileiras, reduz ruído interno e tenta maximizar cadeiras. O Rio, sempre laboratório de experiências políticas, vira novamente a arena onde se testam nomes, alianças e limites.
Nesse rearranjo, a saída de Sóstenes da corrida abre espaço para uma disputa mais ampla pela vaga ao Senado. O PL passa a sondar perfis com capacidade de mobilização simbólica e eleitoral, enquanto mede riscos de imagem e de governabilidade. O cálculo é simples: ampliar a base sem perder o controle.
- Manter a liderança garante protagonismo nacional diário
- Evita uma prévia interna desgastante no Rio
- Protege a narrativa bolsonarista em ano sensível
- Abre espaço para testes eleitorais com novos nomes
- Consolida Valdemar como árbitro final do partido
- Preserva capital político para negociações futuras
A partir daí, o xadrez acelera. O delegado Felipe Curi surge como nome testado em pesquisas, embalado por uma operação policial de impacto — a mais letal da história do Rio — que fala diretamente a um eleitorado sedento por “ordem”. Ao mesmo tempo, Marcelo Crivella reaparece com musculatura renovada após a saída de Flávio da disputa, apostando no eleitorado evangélico e no recall de ex-prefeito.
Para os Bolsonaro, apoiar Crivella tem racionalidade estratégica: aproxima o Republicanos, partido com forte influência das igrejas Assembleia de Deus e Universal, ampliando o arco de alianças. O Senado, nesse desenho, deixa de ser objetivo individual e vira peça de coalizão.
| Jogador/Frente | Posição Pública | Bastidor Real | Impacto Estratégico |
|---|---|---|---|
| Sóstenes | Foco na Câmara | Blindar liderança | Coesão do PL |
| Valdemar | Unidade partidária | Centralizar decisões | Controle eleitoral |
| Flávio Bolsonaro | Porta-voz | Reorganizar campo | Proteção familiar |
| Felipe Curi | Segurança | Teste de popularidade | Voto de ordem |
| Marcelo Crivella | Retorno político | Aliança religiosa | Ponte com Republicanos |
O impacto imediato é a redução do risco interno. Com Sóstenes fora do páreo, o PL evita canibalização de votos e mantém uma narrativa unificada. O custo é abrir mão de uma candidatura competitiva ao Senado em troca de controle. No Rio, isso costuma funcionar — até não funcionar.
A médio prazo, o partido testa até onde a pauta de segurança pública converte voto majoritário e se o eleitorado evangélico permanece coeso. O Senado exige amplitude; a Câmara tolera nicho. Essa diferença define a aposta.
Mapa de Poder — PL no Rio
Infográfico analítico | diariocarioca.com
Valdemar Costa Neto concentra decisões estratégicas e evita disputas internas em ano eleitoral.
Sóstenes Cavalcante permanece na liderança da Câmara como ativo de visibilidade e disciplina partidária.
Flávio Bolsonaro centraliza o discurso público e articula alianças no campo conservador.
Marcelo Crivella surge como opção competitiva ao Senado, sustentado por base evangélica organizada.
Felipe Curi é avaliado como vetor da pauta de segurança pública, com alto impacto simbólico.
Maximizar cadeiras e alianças políticas, mesmo ao custo de ambições individuais.
O que está em jogo vai além de um nome. É a tentativa de transformar a Câmara em bunker político enquanto o Senado vira vitrine de alianças. O Rio, com sua tradição de extremos, amplifica cada movimento. E o eleitor, entre o cansaço e a fidelidade, decide no detalhe.
A leitura fria indica que o PL aposta na disciplina. A leitura carioca aponta risco: excesso de controle pode sufocar renovação. Em 2026, disciplina e carisma disputarão voto a voto.
Por que Sóstenes abriu mão do Senado?
Porque a liderança da Câmara oferece mais poder imediato e menor risco eleitoral.
Quem ganha com a decisão?
Valdemar consolida comando; o PL reduz conflitos internos.
Crivella é favorito?
É competitivo, sobretudo pelo eleitorado evangélico e apoio bolsonarista.
E Felipe Curi?
É teste de narrativa de segurança; dependerá de rejeição e amplitude.
No fim, o PL escolheu mandar antes de disputar. No Rio, essa escolha costuma render dividendos — desde que o eleitor compre o pacote inteiro.
📲 Siga o Diário Carioca:
🔗 Instagram: https://www.instagram.com/jornaldiariocarioca/
🔗 Facebook: https://www.facebook.com/diariocarioca
🔗 X: https://x.com/ODiarioCarioca





