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Se morasse no Alemão?

Argentina racista ignora Justiça brasileira e expõe a leniência institucional

O caso da advogada argentina filmada em um bar do Rio de Janeiro fazendo gestos racistas não é apenas um episódio de injúria individual, mas um teste simbólico para o sistema de Justiça brasileiro.

Por Argentina racista ignora Justiça brasileira e expõe a leniência institucional | Diário Carioca Vanessa Neves Analista Política
Ipanema

O vídeo é curto, mas o impacto é longo. Em poucos segundos, uma advogada argentina imita um macaco e profere a palavra “mono” contra um trabalhador brasileiro. Não há ambiguidade cultural. Há racismo explícito, performático e filmado.

O registro circula, indigna, viraliza. A cena ocorre em território brasileiro, sob legislação brasileira, contra um cidadão brasileiro. A soberania jurídica, ao menos em tese, não admite ironias.

A decisão judicial que não anda

A Justiça do Rio de Janeiro determinou o uso de tornozeleira eletrônica como medida cautelar. Não é punição. É garantia mínima de que a investigada permaneça acessível ao processo.

Dias depois, nada. A tornozeleira não foi instalada. Não por decisão judicial contrária, mas por ausência de cumprimento material. A engrenagem parou onde sempre para: na execução.

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Quando o sigilo vira biombo

O Judiciário informa que o processo corre sob sigilo. Tecnicamente legítimo. Politicamente conveniente. O sigilo, aqui, não protege a vítima; protege o silêncio institucional.

Não há prazo público. Não há sanção imediata pelo descumprimento. Há apenas a expectativa abstrata de que a investigada, espontaneamente, cumpra o que lhe foi imposto.

“Era brincadeira”: o álibi universal

Em depoimento, a advogada afirmou estar “brincando”. O argumento é antigo, previsível e estruturalmente aceito. O racismo, quando denunciado, quase sempre se refugia no humor.

A brincadeira, curiosamente, nunca é inocente quando desumaniza. O riso, nesse contexto, funciona como tecnologia de poder.

O estrangeiro e o duplo padrão

Se fosse um trabalhador periférico, negro e brasileiro, a tolerância seria a mesma? A pergunta incomoda porque a resposta é conhecida. A seletividade penal não é um desvio do sistema; é parte do seu design histórico.

O constrangimento internacional que não veio

O Brasil, país que exporta discursos antirracistas em fóruns globais, hesita quando o racismo vem com passaporte estrangeiro e diploma universitário. A diplomacia informal do “deixa pra lá” ainda dita condutas.


Por que isso importa

Porque o racismo não se sustenta apenas em gestos individuais, mas na resposta institucional que os sucede. A abolição formal da escravidão não eliminou a hierarquia racial; apenas a sofisticou. Cada decisão não cumprida reafirma que a igualdade perante a lei segue sendo promessa, não prática.

Argentina racista ignora Justiça brasileira e expõe a leniência institucional | Diário Carioca

Vanessa Neves

Vanessa Neves é Jornalista, editora e analista de mídias sociais do Diário Carioca. Criadora de conteúdo, editora de imagens e editora de política.

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