O Rio de Janeiro de Cláudio Castro (PL) encerrou 2025 reafirmando sua vocação para o necrotério. Os dados consolidados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), divulgados nesta sexta-feira (16), desenham um cenário de guerra aberta: as mortes decorrentes de intervenção policial cresceram 13%, saltando de 703 em 2024 para assustadores 797 no ano passado.
O “pico” desse gráfico de sangue ocorreu em outubro, na chamada Operação Contenção, que transformou os Complexos do Alemão e da Penha em cenários de horror com 121 mortos — a operação mais letal da história fluminense, superando o massacre do Jacarezinho de 2021.
Para o governo, são números de “combate”; para as comunidades, são evidências de uma política de extermínio que não distingue alvo de morador.
Enquanto a letalidade policial dispara, o Palácio Guanabara tenta vender uma narrativa de sucesso baseada na apreensão de 920 fuzis — um recorde histórico que Castro usa para pedir “leis mais duras” e “vigilância de fronteiras”.
É o velho jogo de empurrar a responsabilidade para o governo federal enquanto o asfalto e as vielas do Rio seguem tingidos de vermelho. O aumento da violência não poupou nem os próprios agentes: 19 policiais foram mortos em 2025, contra 12 no ano anterior. O estado gasta fortunas em “tecnologia de ponta”, mas o resultado final, na ponta do fuzil, é uma letalidade violenta que subiu 2%, atingindo 3.881 vítimas.
A apreensão recorde de fuzis justifica o empilhamento de 797 corpos ou o Rio de Janeiro institucionalizou o massacre como métrica de eficiência?
Será que a queda de 18,4% no roubo de veículos compensa o trauma de uma cidade que viu uma operação militar matar mais de cem pessoas em um único dia? A diretora do ISP, Marcela Ortiz, fala em “estratégias baseadas em inteligência”, mas os dados de estupro também subiram (5.867 registros).
O que vemos é um Rio de Janeiro esquizofrênico: eficiente para recuperar carros e proteger o patrimônio na Zona Sul, mas implacável e letal nas periferias. Castro celebra o recorde de apreensões de armas de guerra, mas esquece que o verdadeiro recorde de seu governo é o de vidas interrompidas sob o pretexto da segurança pública.
O Balanço do Sangue: Rio 2025 vs. 2024
| Indicador de Violência | 2024 (Vítimas) | 2025 (Vítimas) | Variação (%) | O Olhar do Diário |
| Mortes por Intervenção Policial | 703 | 797 | + 13% | A polícia que mata mais do que protege. |
| Letalidade Violenta (Total) | 3.809 | 3.881 | + 2% | O fracasso da gestão da vida. |
| Apreensão de Fuzis | 732 | 920 | + 25,7% | O troféu de metal sobre os caixões. |
| Estupros | 5.819 | 5.867 | + 0,8% | A vulnerabilidade que a inteligência ignora. |
| Roubo de Veículos | 30.930 | 25.239 | – 18,4% | O único número que o mercado celebra. |
A análise técnica do Diário Carioca não se deixa enganar pela maquiagem estatística: o recuo nos roubos de carga e de rua é uma cortina de fumaça para a barbárie institucionalizada. Cláudio Castro governa um estado que mata 13% a mais via agentes públicos enquanto o país, em diversos outros estados, tenta reduzir esses índices.
A Operação Contenção em outubro não foi uma ação de inteligência; foi uma demonstração de força bruta que isolou o Rio do debate civilizatório. O fuzil apreendido hoje é a desculpa para o corpo caído amanhã. No Rio de Janeiro, a paz de Castro é construída sobre o silêncio dos cemitérios.





