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Sóstenes Cavalcante oficializa venda de casa 11 dias após PF encontrar R$ 430 mil em seu armário

Por Vanessa Neves Analista Política

A criatividade contábil no Congresso Nacional acaba de ganhar um novo capítulo digno de realismo fantástico. Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), o baluarte da moralidade conservadora, jura de pés juntos que os R$ 430 mil encontrados pela Polícia Federal dentro de um saco preto em seu flat não eram fruto de desvio de cota parlamentar, mas sim da venda de uma casa em Ituiutaba (MG).

O detalhe que desafia as leis do tempo e da burocracia é que a escritura pública desse negócio só foi lavrada em 30 de dezembro — exatamente 11 dias após a PF ter “visitado” o parlamentar e levado as cédulas.

Sóstenes diz que o contrato particular foi assinado em novembro, mas o papel passado, aquele que realmente conta para o fisco e para o Direito, parece ter surgido como um milagre pós-apreensão.

Para a Polícia Federal e para o ministro Flávio Dino, relator do caso no STF, a história de Sóstenes soa como um sermão pouco convincente. O deputado alega que manteve quase meio milhão de reais em espécie no guarda-roupa por um “lapso” de tempo para depositá-los.

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No mundo real, cidadãos comuns não costumam passear com sacos de dinheiro vivo sem atrair olhares ou suspeitas de lavagem.

A investigação, batizada de Operação Galho Fraco, apura se o parlamentar e seu colega Carlos Jordy (PL-RJ) utilizavam empresas de fachada — como locadoras de veículos — para simular gastos e embolsar o dinheiro público. Se a casa em Minas Gerais foi o “salvador” da origem lícita, a cronologia dos cartórios sugere que a salvação foi fabricada às pressas.

O contrato particular de Sóstenes é uma prova de honestidade ou um álibi de última hora?

Será que o parlamentar acredita que o STF aceitará uma transação em dinheiro vivo, formalizada apenas após o flagrante, como justificativa para tamanha fortuna doméstica?

O “imóvel da salvação” está declarado no Imposto de Renda, mas a ausência do contrato de gaveta nos registros do tabelião levanta sobrancelhas até nos corredores mais lenientes da Câmara.

Sóstenes, que se diz vítima de “perseguição política”, agora terá que explicar por que um comprador pagaria R$ 500 mil em notas sonantes e por que ele, um homem público ocupado, preferiu a segurança de um saco de lixo no armário à segurança de uma conta bancária vigiada pelo COAF.


A Linha do Tempo do “Lapso” Financeiro

DataEventoStatus da NarrativaO Olhar do Diário
24 de NovembroSuposta venda por contrato particular.Sem registro oficial imediato.A gênese do álibi ou o início da transação?
19 de DezembroOperação da PF apreende R$ 430 mil.Dinheiro em saco preto no flat.O flagrante que interrompeu o “descanso” das notas.
24 de DezembroSóstenes exibe escritura em vídeo.Tentativa de controle de danos.O “Natal do Imóvel” para acalmar a base fiel.
30 de DezembroEscritura é formalizada em cartório.11 dias após a apreensão da PF.O carimbo que chegou com o atraso da conveniência.

Sóstenes Cavalcante está tentando vender uma história que nem o mercado imobiliário mais agressivo compraria. Quando a política se mistura com sacos de dinheiro e escrituras retroativas, a ética geralmente é a primeira a ser despejada. Flávio Dino, que conhece os atalhos do poder e as manhas da malandragem parlamentar, certamente pedirá perícia em cada vírgula desse contrato particular.

Se o “lapso” foi de memória ou de caráter, os sigilos bancários e telefônicos — já quebrados por ordem do STF — dirão em breve se Sóstenes é um vendedor de imóveis de sorte ou apenas mais um operário da “engrenagem das cotas”.

Vanessa Neves

Vanessa Neves é Jornalista, editora e analista de mídias sociais do Diário Carioca. Criadora de conteúdo, editora de imagens e editora de política.

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