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O delírio dos ‘homens de bem’: como a fixação por Erika Hilton derrete o cérebro bolsonarista?

A extrema-direita brasileira, em mais um surto de analfabetismo funcional e má-fé, inventa diálogo inexistente para destilar transfobia contra deputada do PSOL

Por JR Vital Analista Geopolítico e Vanessa Neves Analista Política
Brasília

O ecossistema de desinformação da extrema-direita brasileira opera como uma máquina de Moebius: um ciclo infinito de distorção que se alimenta do próprio ódio.

O mais recente episódio de esquizofrenia digital envolve o presidente Lula e a deputada Erika Hilton. Segundo a “horda” — termo que a própria parlamentar utilizou com precisão cirúrgica —, Lula teria cometido transfobia ao se referir a ela no masculino durante um evento na Casa da Moeda. O detalhe? Erika Hilton sequer estava no Rio de Janeiro.

O que você precisa saber agora
  • Fato central Perfis bolsonaristas viralizaram um vídeo editado sugerindo, falsamente, que Lula teria se referido a Erika Hilton com um pronome masculino.
  • Evidência Erika Hilton estava no interior de São Paulo. No registro original, Lula dialogava com outra pessoa da plateia sobre crimes cibernéticos.
  • Impacto O episódio expõe a reincidência da extrema direita em práticas de difamação política e transfobia estrutural como método de mobilização.

O que assistimos não é apenas um erro de checagem, mas uma patologia política. Para o bolsonarismo, a existência de uma mulher travesti no epicentro do poder é um erro na matriz que precisa ser corrigido via linchamento virtual.

Ao ouvirem o prenome “Erika” — como se houvesse apenas uma em um país de 214 milhões de habitantes —, os neurônios da oposição entraram em curto-circuito, ignorando que o presidente alertava justamente contra a violência digital e a pornografia infantil via IA.

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A gramática do ódio ou a cegueira deliberada?

A pergunta que fica para a posteridade é: por que a direita tem tanto medo de uma mulher que produz mais que toda a bancada do ódio somada?

A resposta reside na mediocridade dos que precisam inventar ataques para esconder a própria irrelevância legislativa. Enquanto Lula falava de proteção à dignidade humana, o “gado” pastava no terreno árido das notícias falsas, provando que a inteligência artificial pode ser um risco, mas a estupidez natural da direita ainda é o maior perigo para a democracia brasileira.

Diário Carioca

Pânicos Morais vs. Estratégias de Controle Social

O fantasma do gênero

“O ‘fantasma do gênero’ funciona para deslocar ameaças existenciais e sociais reais para bodes expiatórios — pessoas trans, queers, feministas e migrantes.”

Judith Butler, em “Quem tem medo do gênero?” (2024)

A hostilidade da extrema direita contra a população trans não é um fenômeno isolado, mas uma tática de bode expiatório para consolidar poder. Segundo o monitoramento do Mídia e Democracia (FGV), o uso do pânico moral em torno da “ideologia de gênero” serve para desviar a atenção de falhas governamentais e crises econômicas. Conforme exposto pelo The Intercept Brasil, essa perseguição canaliza a frustração de status e o medo da perda de autoridade patriarcal, transformando a existência trans em um símbolo de “caos” a ser combatido para restaurar uma ordem autoritária imaginária.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

Vanessa Neves

Vanessa Neves é Jornalista, editora e analista de mídias sociais do Diário Carioca. Criadora de conteúdo, editora de imagens e editora de política.

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