O ecossistema de desinformação da extrema-direita brasileira opera como uma máquina de Moebius: um ciclo infinito de distorção que se alimenta do próprio ódio.
O mais recente episódio de esquizofrenia digital envolve o presidente Lula e a deputada Erika Hilton. Segundo a “horda” — termo que a própria parlamentar utilizou com precisão cirúrgica —, Lula teria cometido transfobia ao se referir a ela no masculino durante um evento na Casa da Moeda. O detalhe? Erika Hilton sequer estava no Rio de Janeiro.
O que você precisa saber agora
- Fato central Perfis bolsonaristas viralizaram um vídeo editado sugerindo, falsamente, que Lula teria se referido a Erika Hilton com um pronome masculino.
- Evidência Erika Hilton estava no interior de São Paulo. No registro original, Lula dialogava com outra pessoa da plateia sobre crimes cibernéticos.
- Impacto O episódio expõe a reincidência da extrema direita em práticas de difamação política e transfobia estrutural como método de mobilização.
O que assistimos não é apenas um erro de checagem, mas uma patologia política. Para o bolsonarismo, a existência de uma mulher travesti no epicentro do poder é um erro na matriz que precisa ser corrigido via linchamento virtual.
Ao ouvirem o prenome “Erika” — como se houvesse apenas uma em um país de 214 milhões de habitantes —, os neurônios da oposição entraram em curto-circuito, ignorando que o presidente alertava justamente contra a violência digital e a pornografia infantil via IA.
A gramática do ódio ou a cegueira deliberada?
A pergunta que fica para a posteridade é: por que a direita tem tanto medo de uma mulher que produz mais que toda a bancada do ódio somada?
A resposta reside na mediocridade dos que precisam inventar ataques para esconder a própria irrelevância legislativa. Enquanto Lula falava de proteção à dignidade humana, o “gado” pastava no terreno árido das notícias falsas, provando que a inteligência artificial pode ser um risco, mas a estupidez natural da direita ainda é o maior perigo para a democracia brasileira.
Pânicos Morais vs. Estratégias de Controle Social
“O ‘fantasma do gênero’ funciona para deslocar ameaças existenciais e sociais reais para bodes expiatórios — pessoas trans, queers, feministas e migrantes.”
— Judith Butler, em “Quem tem medo do gênero?” (2024)A hostilidade da extrema direita contra a população trans não é um fenômeno isolado, mas uma tática de bode expiatório para consolidar poder. Segundo o monitoramento do Mídia e Democracia (FGV), o uso do pânico moral em torno da “ideologia de gênero” serve para desviar a atenção de falhas governamentais e crises econômicas. Conforme exposto pelo The Intercept Brasil, essa perseguição canaliza a frustração de status e o medo da perda de autoridade patriarcal, transformando a existência trans em um símbolo de “caos” a ser combatido para restaurar uma ordem autoritária imaginária.
Fake news viraliza 80% mais rápido que desmentidos (20%) e sanções (5%).




