A democracia carioca volta a sangrar pela ferida aberta do ódio político. A deputada estadual Renata Souza (PSOL), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Alerj, elevou o tom da denúncia contra a barbárie ao acionar formalmente a ONU e a OEA nesta segunda-feira (26).
O motivo é um pesadelo recorrente: ameaças de morte que extrapolam o insulto e detalham planos de tortura, violência sexual e execução.
Para o trabalhador que entende que a bala que cala um representante também fere o seu direito de escolha, o caso de Renata é o sintoma de um sistema que ainda permite que sementes do fascismo germinem no anonimato digital.
Desta vez, a sombra é mais densa. As mensagens são assinadas pela “Ordem Secreta dos Primadistas”, uma célula neonazista com raízes na década de 1960, que ressurge em 2026 com promessas de “limpeza” racial e ataques em massa.
O teor dos e-mails não é apenas criminoso; é estratégico. Ao vincular as ameaças ao nome do ex-presidente Jair Bolsonaro e às eleições deste ano, os agressores tentam transformar o processo democrático em um campo de terror.
É a política do medo tentando paralisar quem, em 2022, tornou-se a parlamentar mais votada da história da Alerj em uma reeleição.
Renata Souza, cria da Maré e herdeira política de Marielle Franco, sabe que o silêncio é o combustível do carrasco.
Ao levar o caso às instâncias internacionais, ela não busca apenas proteção individual, mas a responsabilização de um Estado brasileiro que falha em proteger suas lideranças femininas e negras.
Em um Parlamento onde o machismo ainda é o verniz das relações de poder, tratar ameaças de morte como “ruído de fundo” é assinar a autorização para a próxima tragédia.
A resposta de Renata é pedagógica: se o Estado é omisso, o mundo saberá que, no Rio de Janeiro de 2026, exercer um mandato popular ainda custa o preço da própria vida.

