Chegar ao Rio de Janeiro sempre foi uma experiência sensorial: o calor, o trânsito, o Cristo no horizonte. A partir deste domingo (11), há um elemento adicional nessa primeira impressão — o preço do táxi. A Prefeitura atualizou a tabela de corridas com cobrança antecipada nos principais terminais da cidade, elevando o custo das viagens justamente para quem desembarca de malas e expectativas.
O reajuste foi autorizado pela Secretaria Municipal de Transportes e atinge as corridas que partem do Galeão, Santos Dumont, Jacarepaguá, Rodoviária do Rio e Píer Mauá. Não é novidade nem exceção: trata-se de mais um ajuste em um sistema que funciona como vitrine da cidade para turistas e visitantes ocasionais.
Desde os tempos em que bondes cruzavam os Arcos da Lapa até a era dos aplicativos, o transporte no Rio sempre foi um termômetro urbano. Como nas crônicas de João do Rio, a cidade se revela logo na chegada — agora, com valores tabelados que anunciam, sem rodeios, quanto custa atravessar suas distâncias.
Quanto custa circular pelo cartão-postal
Na tarifa 1 — válida em dias úteis das 6h às 21h e aos sábados até as 14h — os novos valores já desenham o impacto. Do Galeão ao Centro, a corrida passa a custar R$ 85. De lá até Copacabana, o valor chega a R$ 124. Quem sai do Santos Dumont paga R$ 30 até o Centro e R$ 56 até Copacabana.
Jacarepaguá, distante dos cartões-postais clássicos, lidera as cifras: uma corrida até o Centro sai por R$ 162. Santa Teresa, com suas ladeiras históricas e apelo turístico, também entra no reajuste, ultrapassando os R$ 100 em saídas do Galeão.
Tarifa 2 e horários sensíveis
À noite, aos domingos, feriados ou em trajetos considerados mais difíceis, entra em vigor a tarifa 2 — com valores ainda mais elevados. A tabela completa fica disponível no site da Secretaria Municipal de Transportes, mas o impacto prático é simples: quem chega fora do horário comercial deve se preparar para pagar mais.
Como funciona o sistema pré-fixado
A cobrança antecipada não é obrigatória. O passageiro pode optar pelo taxímetro convencional. No modelo pré-fixado, o valor é definido antes da viagem por meio de um voucher retirado nos balcões das cooperativas dentro dos terminais. O motorista deve cobrar exatamente o preço impresso — pedágios, quando existirem, são pagos à parte.
A lógica é oferecer previsibilidade e evitar surpresas no fim do trajeto. O paradoxo é que, com reajustes sucessivos, a previsibilidade vem acompanhada de um custo cada vez mais elevado.
Entre conforto e bolso
Para quem visita o Rio, o táxi segue sendo sinônimo de praticidade e porta de entrada direta para a paisagem. Para moradores, o reajuste reforça um dilema antigo: conforto custa caro, sobretudo quando começa já na chegada.
No Rio, o primeiro quilômetro da experiência urbana continua sendo pago antes mesmo de a cidade se revelar por inteiro.

