
O Brasil decidiu olhar para o céu com mais seriedade. O Exército vai incorporar um sistema italiano de defesa antiaérea de média altura e alcance, fruto de um acordo de cooperação entre Brasil e Itália, formalizado em portaria assinada em 22 de dezembro pelo chefe do Estado-Maior da Força.
O documento define diretrizes para aquisição e desenvolvimento conjunto dos equipamentos, ainda sem prazos para contratação. A iniciativa integra o projeto Força 40, plano estratégico de modernização do Exército brasileiro com horizonte até 2039.
Perspectivas Editoriais
Com o novo sistema, o país passa a contar com capacidade de interceptação de ameaças aéreas a até 15 quilômetros de altitude e 40 quilômetros de distância — um salto técnico relevante para uma força que, até agora, operava apenas sistemas terrestres de baixa altura.
Um país continental não se defende só com discurso
A decisão não nasce do acaso. Em um mundo onde drones, mísseis e vetores hipersônicos redefinem conflitos, a defesa aérea deixou de ser luxo estratégico e passou a ser requisito mínimo de soberania. Um país continental, com infraestrutura crítica espalhada e fronteiras extensas, não se protege apenas com boa vontade diplomática.
Ao optar por cooperação e desenvolvimento conjunto, o Brasil sinaliza algo além da compra. Busca absorção tecnológica. Busca autonomia futura. Busca sair da condição histórica de cliente e aproximar-se, ainda que lentamente, da posição de coprojetista.
Força 40 e o relógio longo da Defesa
O projeto Força 40 é, por definição, um pacto com o tempo. Modernizar até 2039 exige constância política, orçamento previsível e visão de Estado — virtudes raras em um país acostumado a soluções improvisadas.
A escolha italiana indica pragmatismo. Sistemas europeus equilibram tecnologia madura, interoperabilidade e menor dependência geopolítica direta das grandes potências militares tradicionais. Não é alinhamento automático. É cálculo.
Capacidades: onde estamos e para onde vamos
| Aspecto | Situação atual do Brasil | Novo sistema italiano |
|---|---|---|
| Altura de interceptação | Baixa altura | Até 15 km |
| Alcance horizontal | Curto alcance | Até 40 km |
| Defesa contra vetores modernos | Limitada | Ampliada |
| Cooperação tecnológica | Restrita | Desenvolvimento conjunto |
Os números são claros. O vazio existia. E começará a ser preenchido. Mas números não garantem soberania sozinhos. Sem continuidade, treinamento e integração doutrinária, sistemas viram peças caras em hangares silenciosos.
A defesa aérea é menos sobre guerra e mais sobre dissuasão. É o recado silencioso de que o espaço aéreo não é terra de ninguém. O Brasil começa, finalmente, a escrever esse aviso em letras visíveis no radar.





