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Ibovespa renova recordes com capital estrangeiro, inflação sob controle e Selic em compasso de espera

Fluxo internacional impulsiona a Bolsa brasileira, IPCA-15 surpreende para baixo e mercado aguarda o Copom em meio à rotação global de risco.

28 de janeiro de 2026

O pregão encerrou-se com a eloquência típica dos ciclos de liquidez: o Ibovespa avançou 1,79%, cravou recorde nominal aos 181.919 pontos e ainda tocou máxima intradia acima dos 183 mil.

Não foi um salto isolado, tampouco um espasmo especulativo. O movimento foi sustentado por três vetores claros: entrada robusta de capital estrangeiro, inflação abaixo do esperado e expectativa de manutenção da Selic na reunião do Copom.

ECONOMIA

Perspectivas Editoriais

A rotação global de capital — catalisada pelo alívio recente das tensões geopolíticas — voltou a favorecer mercados emergentes. O Brasil, com diferencial de juros elevado e liquidez relevante, tornou-se destino natural desse fluxo.

Dados da B3 indicam R$ 12,3 bilhões aportados por estrangeiros entre 1º e 21 de janeiro, quase metade de todo o capital internacional que ingressou na Bolsa em 2025. Em linguagem simples: o dinheiro cruzou fronteiras atrás de rendimento e previsibilidade relativa.

Inflação: o freio que não travou

No front doméstico, o IPCA-15 de janeiro avançou 0,20%, abaixo dos 0,23% esperados. No acumulado de 12 meses, 4,50%, dentro da banda da meta (3,0% ± 1,5%). O dado não resolve a inflação — serviços seguem pressionados —, mas reduz a urgência de novas restrições monetárias. É o tipo de alívio que não vira euforia, mas sustenta preço de ativo.

Esse pano de fundo reforçou a leitura dominante para o Copom: manutenção da Selic em 15%. O juro alto continua sendo ímã para o capital internacional; ao mesmo tempo, cobra seu preço na economia real. O mercado, contudo, negocia o presente — e o presente favoreceu a Bolsa.

Wall Street em compasso desigual

Enquanto São Paulo celebrava, Nova York fechou mista, com investidores à espera de sinalizações sobre juros e atentos ao discurso de Donald Trump sobre desempenho econômico e custos. A cautela nos EUA, combinada à rotação de risco, ajudou a explicar por que o Brasil capturou fluxo em dia decisivo.

Ganhadores e perdedores: o micro revela o macro

A sessão também exibiu dispersão setorial. Entre as maiores altas, destaque para Cia Tecidos Santanense (CTSA3) (+21,08%) e Textil Renauxview (TXRX4) (+19,75%). Nas quedas, PDG Realty (PDGR3) (-18,16%) e Desktop (DESK3) (-12,86%). Em mercados de fluxo, a rotação é implacável: liquidez entra, mas não se distribui de forma homogênea.

O volume negociado atingiu R$ 35,3 bilhões, com 4,7 milhões de negócios — confirmação de que o recorde veio acompanhado de profundidade.

Classe, índice e realidade

Recordes nominais impressionam, mas não substituem renda, emprego e crédito acessível. O Ibovespa reflete cerca de 80% do volume financeiro do mercado, não 80% da vida social. Ainda assim, quando o capital estrangeiro escolhe ficar, abre-se uma janela: reduzir ruídos, avançar em reformas microeconômicas e preservar a âncora fiscal. O índice falou alto hoje. O desafio é fazer o eco chegar à economia real.

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