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“Chance de pegar os magnatas”: Lula descarta viés político e exige rigor técnico no Caso Master

Em entrevista nesta quinta-feira (5), presidente afirma que investigação liderada por Galípolo e PF é a maior oportunidade da história para punir a corrupção financeira no Brasil.

5 de fevereiro de 2026

O Palácio do Planalto adotou nesta quinta-feira (5) um tom de ofensiva ética para lidar com os estilhaços do colapso do Banco Master. Em entrevista ao UOL News, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscou distanciar sua imagem e a do governo de qualquer leniência com a instituição financeira, que foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025. Ao ser questionado sobre a reunião fora da agenda que teve com o banqueiro Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, Lula foi enfático ao afirmar que “a política não entrará na investigação”. O discurso presidencial sinaliza uma tentativa de capitalizar o escândalo como um marco de sua gestão no combate a crimes de colarinho branco, rotulando os envolvidos como “magnatas da corrupção” e prometendo um desfecho técnico implacável.

A Reunião de 2024 e o Álibi do “Rumor”

A grande sombra sobre o governo é o encontro ocorrido no final de 2024 entre Lula, Daniel Vorcaro e Gabriel Galípolo — então indicado à presidência do BC. Lula confirmou o encontro, revelando que a agenda foi intermediada pelo ex-ministro Guido Mantega. Segundo o presidente, Vorcaro teria usado o tempo para se queixar de “perseguição” por parte do sistema financeiro. A defesa de Lula, corroborada pelo ministro Fernando Haddad, é que na época não havia indícios formais de crime, apenas rumores de mercado. Haddad chegou a declarar que Galípolo “herdou um abacaxi” da gestão anterior do BC, comandada por Roberto Campos Neto, que supostamente teria ciência dos problemas de liquidez do Master já em 2024, mas optou pela inação.

Operação Compliance Zero: Fraude de R$ 17 Bilhões

Enquanto o debate político ferve, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) avançam com a Operação Compliance Zero. As investigações apontam para um rombo colossal que pode chegar a R$ 17 bilhões, envolvendo a emissão de títulos de crédito falsos, manipulação contábil e lavagem de dinheiro. Em janeiro de 2026, a segunda fase da operação resultou no bloqueio de R$ 5,7 bilhões e na quebra de sigilo de 101 pessoas e empresas ligadas ao esquema. A figura de Daniel Vorcaro permanece no centro do turbilhão; preso preventivamente em novembro de 2025 e agora sob prisão domiciliar, o banqueiro recentemente se negou a fornecer a senha de seu celular aos investigadores, aumentando a pressão por novas medidas coercitivas.

O Papel de Galípolo e o Escrutínio do TCU

Gabriel Galípolo, agora presidente efetivo do Banco Central, enfrenta seu primeiro grande teste de fogo. Embora o governo defenda sua atuação técnica ao decretar a liquidação do Master, o Tribunal de Contas da União (TCU) abriu uma frente de investigação para apurar se o BC foi negligente ou se houve omissões que permitiram o crescimento da fraude. O imbróglio ganhou novas camadas com a revelação de que o Banco Regional de Brasília (BRB) tentou adquirir parte do Master meses antes da quebra, operação que foi vetada pelo próprio Banco Central por risco sistêmico. O BRB informou nesta semana ter encontrado “achados relevantes” que já foram compartilhados com a PF, sugerindo que o esquema possuía ramificações profundas no setor público e privado.

O “Maior Roubo da História Econômica”?

Lula não poupou adjetivos ao descrever o caso Master como “talvez o maior roubo da história econômica deste país”. A estratégia de comunicação do governo visa transformar o escândalo em um trunfo de transparência, contrastando com as críticas de que o Planalto teria sido conivente ao receber Vorcaro em audiência. Ao convocar Haddad, Galípolo e Paulo Gonet para explicarem o caso, o presidente tenta unificar o discurso das instituições de controle. Entretanto, a oposição no Congresso, liderada pela CAE do Senado, já articula subcomissões e possíveis CPMIs para investigar o “vácuo de fiscalização” que permitiu que um banco sob suspeita operasse livremente por tanto tempo.

Futuro Político e Econômico em 2026

Com as eleições de 2026 no horizonte, o desenrolar do Caso Master pode redefinir alianças. O ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF, retirou o sigilo de depoimentos cruciais, sinalizando que a justiça não pretende manter as investigações sob o tapete. Para o sistema financeiro nacional, a crise no Master e na gestora Reag — também liquidada em janeiro — testa a solidez do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que já iniciou os pagamentos aos credores. O sucesso ou o fracasso do governo em punir os “magnatas” citados por Lula determinará a temperatura da política econômica nos próximos meses.

Takeaways

  • Lula garante que investigação do Banco Central será estritamente técnica e sem influência política.
  • Presidente confirma reunião com Daniel Vorcaro em 2024, intermediada por Guido Mantega.
  • Operação Compliance Zero da PF estima fraudes de R$ 17 bilhões e já bloqueou R$ 5,7 bilhões.
  • Fernando Haddad defende Galípolo e atribui demora na fiscalização à gestão anterior do BC.
  • TCU e Senado abrem frentes de apuração sobre possíveis omissões de órgãos reguladores.

Fatos-chave

  • Data do pronunciamento: 5 de fevereiro de 2026.
  • Operação: Compliance Zero (Polícia Federal).
  • Personagem central: Daniel Vorcaro (Dono do Banco Master, em prisão domiciliar).
  • Impacto financeiro: Estimativa de R$ 17 bilhões em fraudes.
  • Liquidação: Decretada pelo Banco Central em novembro de 2025.
  • Vínculos: Envolvimento da gestora Reag e tentativa de compra pelo BRB.
  • Justiça: Caso tramita no STF sob relatoria de Dias Toffoli.
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