
O senador Magno Malta (PL-ES) protagonizou um episódio de tensão institucional ao tentar forçar sua entrada no Batalhão de Custódia e Vigilância, conhecido como “Papudinha”, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses. De acordo com informações obtidas pela coluna de Lauro Jardim e confirmadas em decisão do ministro Alexandre de Moraes, Malta teria utilizado suas prerrogativas parlamentares de forma indevida — o que policiais da unidade descreveram como uma “carteirada” — para tentar acessar áreas restritas de segurança máxima do presídio.
A conduta de Malta e o risco à disciplina carcerária
Perspectivas Editoriais
Ao negar o pedido de visita, o ministro Alexandre de Moraes foi enfático ao classificar a postura de Magno Malta como um risco à ordem do sistema prisional. O magistrado destacou que o uso do cargo político para tentar driblar protocolos de segurança “gera riscos desnecessários à disciplina do Batalhão e à segurança do próprio sistema de custódia”. No Diário Carioca, entendemos que o sistema penitenciário de segurança máxima não admite exceções por foro privilegiado, especialmente quando se trata de visitas a um detento condenado por crimes contra o Estado Democrático de Direito. A tentativa de Malta reforça a estratégia de tensionamento que aliados do ex-presidente mantêm com o Judiciário e as forças de segurança.
Valdemar Costa Neto e o veto por investigação criminal
Além de Malta, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também teve seu acesso negado à Papudinha. Neste caso, o fundamento de Moraes foi estritamente jurídico e cautelar: Valdemar é investigado pelos mesmos crimes que levaram Bolsonaro à prisão — organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O código de execução penal e as normas do STF impedem que investigados mantenham contato direto em ambientes carcerários para evitar a combinação de versões ou a continuidade de atividades ilícitas.
Quem entrou: Os nomes liberados pelo STF
Apesar dos vetos a Malta e Valdemar, a defesa de Bolsonaro conseguiu autorização para quatro aliados. Foram liberados:
- Hélio Lopes (PL-RJ): Deputado e aliado íntimo da família.
- Cabo Gilberto Silva (PL-PB): Deputado federal.
- Wilder Morais (PL-GO): Senador.
- Nabhan Garcia: Ex-secretário de Assuntos Fundiários e representante da ala ruralista.
A liberação seletiva demonstra que o STF está analisando o histórico e o status jurídico de cada solicitante, permitindo visitas de cunho político ou pessoal apenas para aqueles que não possuem envolvimento direto nos inquéritos de golpe de Estado em curso.
O isolamento político de Bolsonaro na prisão
Jair Bolsonaro está encarcerado desde 22 de novembro de 2025. O veto a figuras centrais do PL, como seu presidente e um dos seus senadores mais combativos, aprofunda o isolamento do ex-presidente e dificulta a coordenação política da oposição a partir da cela. Para o Diário Carioca, o episódio da “carteirada” de Magno Malta revela o desespero de uma ala do partido que ainda busca desafiar os ritos processuais em favor de uma narrativa de lealdade messiânica ao líder preso, colidindo frontalmente com a autoridade de Moraes e as normas do sistema de justiça.





