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Epstein teceu elogios a Bolsonaro em mensagens

Documentos desclassificados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos expõem a anatomia de uma aliança ideológica entre o financista Jeffrey Epstein e o estrategista Steve Bannon, centrada na ascensão de Jair Bolsonaro em 2018.

1 de fevereiro de 2026

A divulgação de novos documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ), na última sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, em Washington, trouxe à tona uma troca de correspondências eletrônicas que redefine a compreensão sobre as influências externas na eleição presidencial brasileira de 2018. As mensagens, trocadas entre o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein e o arquiteto da “Alt-Right”, Steve Bannon, revelam um entusiasmo pragmático com a figura de Jair Bolsonaro, descrito por Epstein como o “negócio real” (the real deal) em um momento crítico da política sul-americana.

A semiótica do poder no submundo das elites

POLíTICA

Perspectivas Editoriais

O uso da expressão “reino no inferno” por Epstein, em resposta à dúvida de Bannon sobre atuar como conselheiro de Bolsonaro, carrega uma densidade literária e política profunda. A alusão à obra de John Milton, Paraíso Perdido, sugere uma consciência plena de que o projeto político em curso desafiava as normas estabelecidas pela ordem global — representada no e-mail por Bruxelas. Para Epstein, a soberania de Bolsonaro contra o fluxo de refugiados e a resistência às diretrizes da União Europeia não eram apenas pautas conservadoras, mas indicadores de uma ruptura sistêmica que interessava aos círculos de poder paralelo que o financista frequentava e financiava.

A arquitetura da desinformação e o rótulo de fake news

Os e-mails revelam uma faceta curiosa da relação: o monitoramento da narrativa pública. Quando Bolsonaro negou vínculos formais com Bannon em 2018, classificando notícias sobre o apoio como “fake news”, Epstein demonstrou desconforto. Essa reação indica que, para os articuladores externos, a negação pública era um entrave à plena integração do Brasil no ecossistema da nova direita internacional. Enquanto Eduardo Bolsonaro abria portas em Nova York, o então candidato mantinha a fachada de independência para consumo interno, uma tática de ambiguidade que Bannon, mestre da guerra psicológica, compreendia, mas que Epstein via com ceticismo operacional.

O papel de Bannon como o interlocutor das trevas

Steve Bannon não era apenas um destinatário; ele era o validador. Ao afirmar a Epstein que seu “candidato ganharia no primeiro turno”, Bannon demonstrava um nível de confiança na infraestrutura digital e militante que estava sendo montada no Brasil. O apoio de Bannon, embora negado juridicamente como prestação de serviço, operava como uma consultoria ideológica e técnica. O fato de Epstein, uma figura central em escândalos de exploração e chantagem, ter visto em Bolsonaro a peça que “mudaria o jogo” sugere que o interesse na economia brasileira estava intrinsecamente ligado à desestabilização de blocos econômicos tradicionais e ao fortalecimento de lideranças autocráticas.

Impacto na credibilidade institucional e relações externas

A revelação dessas mensagens em 2026 projeta uma sombra retrospectiva sobre a legitimidade das alianças internacionais formadas durante o mandato de Bolsonaro. A conexão com Epstein, ainda que indireta e mediada por Bannon, coloca o governo brasileiro da época em uma incômoda proximidade com figuras que personificavam a corrupção das elites globais. Este novo capítulo dos “Arquivos Epstein” não apenas alimenta o debate político doméstico, mas fornece material para análises sobre como o capital financeiro transnacional e a estratégia política disruptiva se fundiram para alterar o curso democrático em nações emergentes.

O realinhamento geopolítico sob a ótica de 2018

Ao analisar o contexto histórico, percebe-se que o entusiasmo de Epstein com o “MASSIVO” potencial de reativação da economia brasileira sob Bolsonaro ocultava uma visão de mundo onde as fronteiras nacionais são apenas barreiras para fluxos de capital e poder não regulado. A análise de classe aqui é clara: as elites que Epstein representava buscavam no Brasil um laboratório para a implementação de um modelo que unia o liberalismo econômico radical a um autoritarismo social seletivo. O fato de os documentos virem à luz agora reforça a tese de que os bastidores do poder em 2018 eram muito mais densos e interconectados do que as campanhas oficiais permitiam transparecer.

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