A Acadêmicos de Niterói consolidou sua abertura no Grupo Especial como uma das mais politizadas da década. Após a aclamação da comissão de frente com a subida da rampa de Lula, a escola niteroiense elevou o tom da crítica ao apresentar uma alegoria que paralisou o público e incendiou as redes sociais. No coração do enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, um elemento visual trouxe a figura de Jair Bolsonaro caracterizada como um palhaço em trajes de presidiário.
A representação não poupou detalhes: o personagem ostentava uma tornozeleira eletrônica com luzes vermelhas simulando uma violação do monitoramento. A estética do “Bozo” — termo amplamente utilizado pela militância e adotado pela narrativa da escola — serviu para simbolizar o isolamento e o acerto de contas jurídico do ex-mandatário frente aos avanços democráticos celebrados pelo samba-enredo. A alegoria funcionou como uma peça de justiça poética, conectando-se diretamente aos anseios de grande parte da arquibancada.
Semiótica da Resistência
A escolha de colocar Bolsonaro como um palhaço preso dentro de um desfile em homenagem a Lula é um marco da soberania cultural do Rio de Janeiro. A Acadêmicos de Niterói utilizou o Carnaval para documentar o sentimento de uma era, misturando a biografia operária do atual presidente com a derrocada política do seu principal opositor. Trechos do samba-enredo, repletos de jargões e citações à militância petista, serviram de trilha sonora para o momento em que a alegoria atravessou o setor 1, sob uma chuva de confetes e gritos de aprovação.
Análise & Contexto
Repercussão Viral
Em poucos minutos, vídeos da “tornozeleira violada” e do “Bolso-Palhaço” dominaram o X (antigo Twitter) e o Instagram, tornando-se o assunto mais comentado da noite de domingo (15). Para os especialistas em Carnaval, a Niterói conseguiu unir o rigor visual necessário para o Grupo Especial com uma carga de engajamento que garante a “lavagem de alma” do folião. A escola provou que a Sapucaí continua sendo o tribunal popular onde o riso é a ferramenta mais poderosa de prestação de contas.
Takeaways:
- Acadêmicos de Niterói apresentou Bolsonaro como um palhaço presidiário.
- A alegoria contava com uma tornozeleira eletrônica cenográfica simbolizando prisão.
- O elemento visual integra o enredo biográfico sobre o presidente Lula.
- A ação viralizou instantaneamente, tornando-se o ponto alto da abertura do Grupo Especial.
Fatos-chave:
- Escola: Acadêmicos de Niterói.
- Enredo: “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
- Elemento Polêmico: Alegoria do “Bozo” preso.
- Data: 15 de fevereiro de 2026.
- Local: Sambódromo da Marquês de Sapucaí, Rio de Janeiro.





