A estratégia do Partido Liberal (PL) para a sucessão presidencial de 2026 começa a desenhar um contorno de “deja-vú” econômico. Valdemar Costa Neto, o articulador da legenda, sugeriu ao senador Flávio Bolsonaro que adote o ex-ministro Paulo Guedes como sua principal bússola programática. Guedes, o fiador do projeto bolsonarista que culminou na desestruturação de políticas sociais e na precarização da segurança alimentar, volta à cena como o trunfo para atrair o mercado financeiro, apesar de seu legado ser indissociável das imagens que correram o mundo em seu mandato: a trágica e humilhante fila do osso.
A tentativa de Flávio em vender Guedes como a antítese de Fernando Haddad ignora o abismo entre o discurso macroeconômico e a realidade das famílias brasileiras. Durante a gestão de Guedes, a inflação de alimentos e o desmonte dos estoques reguladores transformaram a proteína básica em luxo, forçando milhões de cidadãos a buscar sobras em açougues — uma cicatriz social que a cúpula do PL parece disposta a ignorar na busca por votos na Faria Lima. Ao participar da CEO Conference 2026 do banco BTG, o senador reafirmou o compromisso com cortes de tributos e reformas que, na prática, tendem a concentrar renda e desidratar o Estado.
A Economia do Abate e o Silêncio do Prato Vazio
Flávio Bolsonaro, embora cauteloso em confirmar nomes para um eventual gabinete, utiliza a figura de Guedes para sinalizar a continuidade de uma agenda de desregulamentação radical. A promessa de “entender de economia” feita pelo senador ressoa como uma provocação aos movimentos sociais que ainda lidam com as sequelas da gestão anterior. O retorno do economista responsável pela fila do osso como referência programática indica que o PL de Valdemar Costa Neto não pretende revisar os erros que levaram o Brasil de volta ao Mapa da Fome, mas sim aprofundar o modelo de estado-mínimo.
As propostas de redução de burocracia e revisão de impostos, mencionadas por Flávio, escondem a ausência de um plano real para o combate à desigualdade. Enquanto Haddad busca o equilíbrio fiscal com inclusão, o projeto de Guedes, agora reciclado por Flávio, foca na proteção de capitais e na redução de serviços públicos essenciais. A “orientação” de Jair Bolsonaro sobre estratégias regionais em estados como Rio de Janeiro, Goiás e Minas Gerais servirá para amarrar esse projeto econômico a palanques conservadores, tentando normalizar a gestão que tornou o osso um item de primeira necessidade.
Análise & Contexto
A Reação do Mercado e o Pragmatismo do PL
O convite de Valdemar a Guedes é, acima de tudo, um movimento pragmático para acalmar os investidores que temem a instabilidade política do clã. No entanto, para o eleitorado que sentiu na pele a carestia e o desemprego, a volta do mentor da fila do osso funciona como um sinal de alerta. O desafio de Flávio será convencer o país de que a receita que gerou fome em 2021 será a solução para a prosperidade em 2026. O samba-enredo econômico do PL parece desafinar antes mesmo de entrar na avenida eleitoral.
Takeaways:
- Valdemar Costa Neto pressiona Flávio a adotar Paulo Guedes como guru econômico para 2026.
- Guedes é lembrado pela gestão que gerou a fila do osso, símbolo da fome no governo anterior.
- Flávio utiliza eventos financeiros (BTG) para vender uma agenda de cortes tributários e reformas radicais.
- O projeto econômico do PL ignora a necessidade de políticas de segurança alimentar e combate à desigualdade.
Fatos-chave:
- Protagonistas: Flávio Bolsonaro (Senador/Pré-candidato), Paulo Guedes (Ex-ministro), Valdemar Costa Neto (PL).
- Evento: CEO Conference 2026 (BTG Pactual).
- Pauta: Reformas econômicas, redução de tributos e crítica à gestão Haddad.
- Histórico: Guedes comandou a economia de 2019 a 2022, período marcado pela volta da fome extrema.
- Data: 14 e 15 de fevereiro de 2026.





