A abertura do Grupo Especial do Rio de Janeiro, neste domingo (15), reserva um dos momentos mais densos e emocionantes da história recente do Carnaval. A Acadêmicos de Niterói, ao apresentar o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, escalou a atriz Dira Paes para um papel que transcende a atuação: a interpretação de Dona Lindu, a matriarca que personifica a resiliência das mulheres do sertão. Ao cruzar a avenida, Dira não estará apenas representando uma figura histórica, mas sim validando a trajetória de milhões de brasileiras que, em meio à poeira e ao abandono estatal, decidiram marchar em direção ao futuro para garantir a sobrevivência de seus filhos.
A presença de Dira Paes, artista profundamente ligada às causas sociais e à identidade amazônica e nordestina, traz uma camada de autenticidade intelectual ao desfile. No carro alegórico, ela estará cercada por crianças que representam Luiz Inácio e seus irmãos, recriando a épica jornada migratória do Nordeste para o Sudeste. Essa escolha cênica é um manifesto direto contra o apagamento da história das classes populares. Ao colocar Dona Lindu como o alicerce moral do “operário do Brasil”, a escola de Niterói inverte a lógica do grande homem e celebra a base invisível que sustenta as grandes transformações políticas.
A Biomecânica da Esperança e a Luta de Classes
O enredo foca na saída estratégica do sertão, um ato de coragem que Dona Lindu executou com a firmeza de quem não aceita o destino da miséria. Para Dira Paes, o papel é uma extensão de sua militância: dar voz a quem o sistema tenta silenciar. No barracão da escola, a atriz demonstrou que sua participação não é meramente ilustrativa; há um compromisso com a densidade da personagem que pariu um presidente sem nunca perder a humildade de quem conhece o peso do trabalho braçal.
A Acadêmicos de Niterói, ao abrir os desfiles do Grupo Especial, assume a vanguarda do Carnaval político de 2026. A narrativa do “Mulungu” — árvore que simboliza a resistência e a regeneração — conecta a natureza à política, sugerindo que a liderança de Lula é um fruto orgânico da terra brasileira, regado pelo sacrifício de uma mãe solo. É uma crítica contundente ao patriarcado e uma exaltação ao poder das mulheres periféricas na construção da democracia nacional.
Análise & Contexto
O Carnaval como Documentário Vivo
Em um cenário onde o revisionismo histórico tenta distorcer as origens do projeto progressista no Brasil, a Sapucaí atua como um documentário vivo. A interpretação de Dira Paes serve como um antídoto contra o ódio, humanizando a trajetória do presidente através da figura materna. O desfile promete ser um rito de passagem, onde o público não verá apenas o político, mas o filho de Lindu, o menino que engraxou sapatos e que, sob a orientação daquela mulher nordestina, aprendeu que a dignidade não se negocia.
Takeaways:
- Dira Paes interpreta Dona Lindu, destacando o papel das mulheres nordestinas na formação do Brasil.
- O desfile recria a migração histórica da família de Lula como um ato de resistência e sobrevivência.
- A Acadêmicos de Niterói utiliza o Carnaval para pautar a justiça social e a valorização da classe operária.
- A presença de crianças no carro alegórico simboliza a continuidade da esperança e a renovação geracional.
Fatos-chave:
- Escola: Acadêmicos de Niterói (Grupo Especial).
- Atriz: Dira Paes (interpretando Dona Lindu).
- Enredo: “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
- Cenografia: Carro alegórico com crianças representando Lula e seus irmãos.
- Local: Marquês de Sapucaí, Rio de Janeiro.
- Data: Domingo, 15 de fevereiro de 2026.









