A Marquês de Sapucaí, palco histórico das contradições e glórias nacionais, prepara-se para um reencontro com a história das lutas trabalhistas. Neste domingo (15), o humorista e apresentador Paulo Vieira assumirá a responsabilidade monumental de interpretar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no desfile da Acadêmicos de Niterói. Longe de ser apenas uma paródia, a performance integra um carro alegórico focado na greve dos operários do ABC Paulista, marco fundador do projeto político que hoje governa o país. A escolha de Vieira, uma das vozes mais potentes e conscientes do entretenimento atual, reforça o caráter popular e visceral da homenagem.

O figurino, carregado de semiótica, será a icônica camisa azul de bolinhas brancas, peça que se tornou uniforme da resistência sindical no final da década de 70. Há, inclusive, a expectativa de que o próprio presidente tenha cedido uma peça original de seu acervo histórico para o desfile. A imagem de Paulo Vieira, cercado por engrenagens e operários em greve, simboliza a ascensão do trabalhador braçal ao topo da pirâmide institucional brasileira. Em tempos de precarização do trabalho e ataques aos direitos sociais, a Acadêmicos de Niterói utiliza o Carnaval para lembrar que o Brasil moderno foi forjado no chão de fábrica e na coragem das paralisações.

A Estética da Luta e o Carnaval Político
O enredo da escola niteroiense não se esquiva do embate. Ao focar no período em que Lula liderava o setor automotivo, a agremiação faz uma defesa direta do movimento sindical como ferramenta de emancipação. Paulo Vieira, conhecido por seu contrato com a Globo e sua agudeza política, traz ao papel a mescla exata de carisma popular e denúncia social. O desfile promete ser um manifesto contra o apagamento da história da classe operária, transformando a avenida em uma assembleia a céu aberto.
Do camarote do prefeito Eduardo Paes (PSD), o próprio Lula assistirá à sua trajetória ser recontada. Esse alinhamento entre o poder institucional e a celebração popular no Carnaval de 2026 desenha um cenário de consolidação da democracia. A Sapucaí deixa de ser apenas um desfile técnico para se tornar um tribunal histórico, onde a trajetória do retirante que virou líder sindical e, posteriormente, Presidente da República, é validada pela estética do samba.
Análise & Contexto
Representatividade no Eixo do Poder
A participação de celebridades e figuras políticas no desfile da Acadêmicos de Niterói coloca a escola no epicentro das discussões sobre o Carnaval como instrumento de resistência. A presença de Paulo Vieira personificando Lula é um ato de ocupação: um homem negro, vindo da periferia e consciente de seu papel social, dando vida ao maior líder popular da história do país.
O desfile do Grupo Especial neste domingo não é apenas entretenimento; é a reafirmação de que o Carnaval é o grande jornal do povo brasileiro. Entre plumas e paetês, o que se verá é o resgate do orgulho operário, lembrando ao país que o futuro da democracia brasileira passa, invariavelmente, pela valorização de quem produz a riqueza da nação.
Takeaways:
- Paulo Vieira interpreta Lula no auge de sua liderança sindical no ABC Paulista.
- O carro alegórico foca na greve dos operários como marco de transformação política.
- O figurino utiliza a famosa estampa de bolinhas, símbolo da resistência dos anos 70/80.
- O desfile ocorre no Grupo Especial, garantindo máxima audiência e impacto político.
Fatos-chave:
- Intérprete: Paulo Vieira (humorista e apresentador).
- Escola de Samba: Acadêmicos de Niterói.
- Data: Domingo, 15 de fevereiro de 2026.
- Local: Marquês de Sapucaí, Rio de Janeiro.
- Tema do Carro: Greves operárias do ABC Paulista.
- Convidados: Presidente Lula e Prefeito Eduardo Paes.





