O circuito Campo Grande, em Salvador, testemunhou na noite deste sábado, 14 de fevereiro de 2026, o que a elite política e financeira mais teme: a fusão entre a fúria artística e a consciência de classe. Do alto do Navio Pirata, o BaianaSystem não apenas tocou música; operou um ritual de exorcismo político. Sob o comando de Russo Passapusso, o público não se limitou ao “Olê, Olê, Olá” em recepção ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O grito que rasgou o ar da capital baiana foi um imperativo categórico que ecoa nos corredores de Brasília e nas celas que ainda aguardam seus inquilinos: “Sem anistia!”.
A presença de Lula na Bahia, acompanhado da primeira-dama Janja e da ministra da Cultura, Margareth Menezes, não é um passeio diplomático. É a ocupação do território simbólico onde o governo federal reafirma que a cultura não é um acessório, mas a espinha dorsal da reconstrução nacional. Ao subir no trio, Margareth Menezes — uma força da natureza que personifica a dignidade do povo negro — transformou o entretenimento em ato de Estado. O apoio do governador Jerônimo Rodrigues selou o pacto de ferro entre a base petista e o eleitorado baiano, consolidando o Nordeste como o tribunal moral onde o bolsonarismo é julgado e condenado diariamente.
A Estética do Combate
O BaianaSystem entende a política como poucos. Suas letras engajadas não são panfletárias; são estruturantes. Quando o coro por “sem anistia” ganha as ruas no maior Carnaval do planeta, ele envia um recado direto ao Supremo Tribunal Federal e ao Congresso: o povo não aceitará acordos de bastidores que perdoem os arquitetos da tentativa de golpe e os sabotadores da democracia. A mensagem é densa e intelectualmente honesta — a paz sem justiça é apenas uma trégua para o próximo ataque autoritário.
Lula, ao se expor diretamente ao Navio Pirata, abraça o risco da radicalidade democrática. Ele se coloca à disposição do veredito das ruas. Enquanto a oposição tenta reduzir o Carnaval a uma “festa financiada”, o que se viu em Salvador foi a manifestação orgânica de uma sociedade que exige reparação. O Carnaval não é um parêntese na realidade; é o momento em que a realidade brasileira se apresenta em sua forma mais pura e sem máscaras.
O Papel da Música na Trincheira
A música de resistência, no contexto de 2026, cumpre o papel de guardiã da memória. O “sem anistia” gritado em Salvador é o antídoto contra o esquecimento deliberado que as forças reacionárias tentam impor. A conexão entre a gestão de Lula e as manifestações culturais populares demonstra que o Ministério da Cultura deixou de ser uma pasta figurativa para se tornar uma trincheira de combate ideológico. A Bahia, berço da resistência, deu o tom do que será a tônica do governo nos próximos meses: não haverá recuo na defesa dos direitos sociais e na punição dos que atentaram contra o país.
Takeaways:
- O coro de “sem anistia” em Salvador pressiona institucionalmente pela punição de criminosos políticos.
- BaianaSystem consolida-se como a voz artística mais influente da esquerda radical brasileira.
- A presença de Margareth Menezes no trio reafirma o peso político da cultura no governo Lula.
- A Bahia reafirma-se como o território de maior blindagem política e popular para o projeto progressista.
Fatos-chave:
- Local: Circuito Osmar (Campo Grande), Salvador, Bahia.
- Presenças: Presidente Lula, Janja da Silva, Ministra Margareth Menezes e Governador Jerônimo Rodrigues.
- Palavra de ordem: “Sem anistia” (referência à punição para os atos antidemocráticos).
- Banda: BaianaSystem (vocalista Russo Passapusso).
- Data: 14 de fevereiro de 2026.
- Repercussão: Vídeo viralizou nas redes sociais como símbolo de apoio à gestão federal.





