O Carnaval de 2026 atinge seu ponto de ebulição política. A Acadêmicos de Niterói, em uma nota contundente publicada nesta segunda-feira (16), rompeu o silêncio sobre os bastidores de sua estreia no Grupo Especial. A agremiação afirma que o tributo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alvo de uma operação de guerra que envolveu tentativas de censura, pressão para alteração de letras de samba e ameaças judiciais. No Diário Carioca, entendemos que o que está em jogo não é apenas um troféu, mas a soberania da arte popular frente ao autoritarismo institucional.
A anatomia da perseguição
A denúncia da escola niteroiense expõe as entranhas da gestão carnavalesca. Segundo o comunicado, a “mordaça” tentada não partiu apenas de setores externos, mas de dentro da própria organização do espetáculo. Relatos de pedidos de mudança de enredo e questionamentos inquisidores sobre a poética do samba evidenciam um esforço para “enquadrar” uma narrativa progressista em um ano eleitoral. A resistência da escola em não se curvar a esses ditames transforma o desfile de domingo em um ato de desobediência civil travestido de folia.
O estigma do “quem sobe, desce”
A nota toca em uma ferida aberta do Carnaval carioca: a manutenção do status quo através do rebaixamento sistemático de escolas ascendentes. A Acadêmicos de Niterói desafia a lógica do “julgamento técnico” que, muitas vezes, serve de biombo para retaliações ideológicas. Ao afirmar que “o amor venceu o medo”, a escola evoca o slogan que marcou a trajetória do homenageado, sinalizando que qualquer resultado na apuração que ignore a potência apresentada será lido pela comunidade como uma extensão da perseguição denunciada.
Análise & Contexto
A resposta das ruas vs. a burocracia
Enquanto a Imperatriz Leopoldinense busca no tapetão a punição por problemas logísticos na dispersão, a Acadêmicos de Niterói aponta para o horizonte moral. A aclamação popular no Sambódromo foi, para a agremiação, o veredito antecipado. A tensão entre a autonomia artística e as amarras burocráticas da Liesa coloca o Carnaval de 2026 sob uma lente de escrutínio democrático sem precedentes. Se a Sapucaí é o palco da voz do povo, o silenciamento de um enredo é, por definição, o fim do Carnaval como manifestação de liberdade.
Leia a nota na íntegra:
A Acadêmicos de Niterói começa essa mensagem agradecendo, de coração aberto, à sua comunidade. O que vivemos na Avenida só foi possível graças à força do povo, à união dos nossos componentes e ao amor de quem nunca deixou essa escola caminhar sozinha.
Mas é preciso dizer a verdade.
Durante todo o processo carnavalesco, a nossa agremiação foi perseguida. Sofremos ataques políticos, enfrentamos setores conservadores e, de forma ainda mais grave, lidamos com perseguições vindas de gestores do próprio Carnaval Carioca. Houve tentativas de interferência direta na nossa autonomia artística, com pedidos de mudança de enredo, questionamentos sobre a letra do samba e outras ações que buscaram nos enquadrar e nos silenciar.
Não conseguiram.
Mesmo pressionada, a Acadêmicos de Niterói não se curvou. Nos posicionamos, resistimos e levamos para a Avenida um desfile verdadeiro, potente e coerente com a nossa identidade.
A força da nossa comunidade foi o nosso pilar. A aclamação popular foi a nossa resposta. O carinho do público foi o nosso maior prêmio.
Também não ignoramos o histórico conhecido no Carnaval: a narrativa injusta de que “quem sobe, desce”. Por isso, reafirmamos com firmeza que esperamos um julgamento justo, técnico e transparente, que respeite o que foi apresentado na Avenida e não reproduza perseguições, interesses ou pré-julgamentos.
A nossa mensagem ecoa clara, forte e sem medo:
🔥 EM NITERÓI, O AMOR VENCEU O MEDO🔥
Seguimos firmes.
Seguimos com o povo.
Seguimos atentos.
Takeaways:
- A denúncia de censura marca um precedente grave na relação entre escolas e gestores.
- O enredo sobre Lula é visto pela agremiação como um ato de resistência contra o conservadorismo.
- A escola questiona a imparcialidade do julgamento diante do histórico de perseguição política.
- O apoio popular na avenida é utilizado como escudo moral contra possíveis notas baixas.
Fatos-chave:
- 16 de fevereiro: data da publicação da nota oficial de denúncia.
- Grupo Especial: divisão onde a Acadêmicos de Niterói estreou este ano.
- “Em Niterói, o amor venceu o medo”: slogan de encerramento do manifesto.
- Enredo focado na trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
- Acusações de ataques políticos e tentativas de interferência artística direta.





