O Carnaval de 2026 marca a consolidação de um novo paradigma na gestão cultural do Rio de Janeiro: a era da executiva-ativa. No domingo (15), Ju Ferraz, o nome feminino mais influente na engrenagem corporativa da Sapucaí, abriu os trabalhos com um posicionamento que sacudiu as estruturas do styling de camarote. Ao recusar o figurino cenográfico e o luxo de importação, Ju escolheu a via da resistência simbólica, transformando o abadá — peça muitas vezes negligenciada pelas elites — em um item de alta-costura política e estratégia de mercado.
A escolha de Ju Ferraz não é fortuita. Em um momento onde a individualização extrema busca apagar os símbolos de união da festa, ela surge com a camisa verde e amarela do Camarote Nº1 personalizada com aplicações de brilho, harmonizada com uma calça jeans que ostenta a inscrição “Brasil”. Esse “look manifesto” é um ataque direto à elitização estética da folia. Ju resgata o abadá como um território comum, uma bandeira de identidade coletiva que nivela o espaço e recorda que, no Setor 2, a verdadeira estrela é a cultura nacional e não o ego individual.

A Estratégia do Pé no Chão e o Poder Executivo
Como mente brilhante por trás dos projetos mais rentáveis e socialmente relevantes da temporada, Ju Ferraz entende que a moda é uma ferramenta de gestão de crise. Ao valorizar a peça central do folião, ela valida o pertencimento e combate o distanciamento criado pelas produções excessivamente elaboradas que dominam as redes sociais. É a alta executiva descendo ao plano da conexão real, provando que o “Made in Brasil Com S” começa na valorização do uniforme que une o povo sob o mesmo compasso.

Justiça Social e a Voz das Mulheres no Comando
A trajetória de Ju no Carnaval de 2026 é um exemplo de ocupação de espaços historicamente masculinos. Sua liderança não se dá apenas na planilha, mas na construção de uma narrativa que protege o patrimônio imaterial da festa. O uso do jeans com a palavra “Brasil” é um gesto de apropriação: ela retoma o orgulho nacional através de uma estética popular e acessível, elevando-a ao status de vanguarda. Em uma noite embalada por Ludmilla e Xande de Pilares, Ju Ferraz provou que o comando feminino na Sapucaí se faz com sensibilidade política e um olhar atento às raízes que sustentam o asfalto.
Análise & Contexto
Takeaways:
- Ju Ferraz utiliza a moda para combater a elitização e a individualização do Carnaval.
- O resgate do abadá funciona como um manifesto de união e identidade coletiva.
- A calça jeans “Brasil” sinaliza a retomada dos símbolos nacionais pelo viés progressista.
- A liderança feminina de Ju redefine o papel das executivas no entretenimento de luxo.
- A personalização com brilho prova que a sofisticação pode e deve ser democrática.
Fatos-chave:
- Protagonista: Ju Ferraz (Executiva de Entretenimento).
- Evento: Abertura do Grupo Especial 2026.
- Local: Camarote Nº1, Sapucaí.
- Look: Abadá personalizado + Jeans “Brasil”.
- Conceito: “Made in Brasil Com S”.
- Contexto: Luta contra o distanciamento dos símbolos tradicionais da folia.





