
A Marquês de Sapucaí, esse território sagrado onde o Brasil se explica entre plumas e tamborins, pode se tornar o cenário de um dos lances mais audaciosos da política fluminense em 2026.
A Acadêmicos de Niterói, em um movimento que mistura devoção e estratégia, estendeu o tapete vermelho para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Perspectivas Editoriais
O enredo, que pretende narrar a trajetória do retirante que chegou ao topo do poder, coloca o Palácio do Planalto diante de um dilema: como conciliar o calor do povo com a frieza dos protocolos de segurança?
A logística
Fontes da organização já trabalham nos bastidores para viabilizar a presença do mandatário.
Contudo, a segurança presidencial, sempre ciosa da integridade do “corpo do rei”, olha com ressalvas para a exposição em um desfile de escola de samba.
O Planalto, em sua nota oficial, mantém o tom de cautela aristocrática: não há confirmação.
Mas sabe-se que, na política, o que não está confirmado é o que está sendo negociado com mais fervor.
Divergência entre aliados
Nos gabinetes de Brasília, o convite divide opiniões. Para uma ala, o desfile é a oportunidade de ouro para humanizar a figura do presidente em ano eleitoral, colando sua imagem à maior festa popular do mundo.
Para os pragmáticos, o risco de vaias ou de incidentes de segurança sobrepõe-se ao ganho estético. Afinal, a Sapucaí é um termômetro impiedoso.
O enredo da sobrevivência
Homenagear Lula na Sapucaí é resgatar a tradição das escolas de samba como cronistas das lutas sociais, mas é também um jogo de alta voltagem política.
Se Lula subir no carro alegórico, ele não estará apenas celebrando o samba; estará reafirmando sua presença no coração do Rio, um reduto onde a disputa pelo imaginário popular é travada a cada esquina.
Resta saber se o samba-enredo da Acadêmicos de Niterói será o hino da vitória ou um adereço pesado demais para um ano de decisões cruciais.





