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Jordanna Maia subverte estética carnavalesca e expõe fragilidade do padrão normativo na Sapucaí

Influenciadora utiliza alta moda como ferramenta de ocupação em espaço historicamente pautado pela hipersexualização comercial.

JR Vital
JR Vital fev. 17, 2026

A segunda noite de desfiles do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí não foi apenas um palco para o espetáculo visual das escolas de samba, mas um campo de batalha simbólico sobre a representação do corpo feminino no espaço público. Jordanna Maia, ao surgir no Camarote N1, não apenas desfilou uma peça de vestuário; ela executou uma performance de autonomia estética que confronta a expectativa tradicional sobre a “musa” de camarote. Através de um look em pedrarias azul-petróleo, estruturado com o rigor da alta moda e a fluidez das franjas, a influenciadora — pelo segundo ano consecutivo porta-voz fashion do evento — reitera que o corpo da mulher no Carnaval deve ser o sujeito de sua própria narrativa, e não um objeto passivo de consumo visual.

Diário Carioca Carnaval
Jordanna Maia  - Foto: Leca Novo
Jordanna Maia - Foto: Leca Novo
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A Moda como Manifesto de Ocupação

A concepção criativa assinada por Rita Lazzarotti rompe com a obviedade dos abadás customizados que, por décadas, serviram como uniformes de segregação de classe nos espaços VIPs. O top estruturado em cristais e as maxi-plumas nos ombros evocam uma armadura de luxo, sugerindo que a presença feminina no epicentro da folia carioca é, antes de tudo, um ato de poder. Ao entrevistar figuras como Sabrina Sato, Erika Januza e Mari Goldfarb, Jordanna desloca o eixo da conversa da mera aparência para a articulação cultural. O diálogo entre essas mulheres sob os refletores da Sapucaí cria uma rede de solidariedade e visibilidade que desafia a estrutura patriarcal do entretenimento brasileiro, onde a voz feminina é frequentemente silenciada pelo ruído do samba comercializado.

Contradições do Luxo e a Realidade Social

Embora o cenário seja de opulência, com shows de Felipe Amorim e Henrique & Diego, a presença de uma roda de samba com Dudu Nobre no mesmo recinto traz à tona a eterna tensão entre a raiz popular do Carnaval e a gentrificação dos camarotes. O figurino de Jordanna, embora inserido neste contexto de exclusividade, serve como um ponto de reflexão sobre a democratização do acesso à moda e à beleza. A “boa forma” exibida não deve ser lida sob a ótica da opressão estética, mas como a celebração de um corpo que se afirma livre em um território de constantes julgamentos. O Carnaval de 2026 desenha-se como um momento de ruptura, onde a estética serve à ética, e a visibilidade de uma influenciadora torna-se o catalisador para discussões mais profundas sobre quem tem o direito de brilhar na passarela da desigualdade brasileira.

Takeaways:

CARNAVAL

Análise & Contexto

Influenciadora utiliza alta moda como ferramenta de ocupação em espaço historicamente pautado pela hipersexualização comercial.
  • Ruptura com a hipersexualização clássica das musas de camarote através da alta moda.
  • A moda utilizada como ferramenta de discurso político e ocupação de espaços de elite.
  • Fortalecimento da rede de influência feminina (Sororidade no entretenimento).
  • Oposição entre a raiz do samba e a comercialização dos espaços VIP.

Fatos-chave:

  • Data do evento: 16 de fevereiro de 2026.
  • Local: Camarote N1, Marquês de Sapucaí, Rio de Janeiro.
  • Designer/Stylist: Rita Lazzarotti.
  • Papel oficial: Porta-voz fashion do Carnaval pelo 2º ano consecutivo.
  • Entrevistadas: Sabrina Sato, Erika Januza e Mari Goldfarb.
  • Atrações musicais: Felipe Amorim, Henrique & Diego, Dudu Nobre.
  • Material do look: Cristais, pedrarias azul-petróleo e maxi-plumas.

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