Estados Unidos da Mentira

Relatórios indicam que foco dos EUA na Venezuela não tem base no combate ao tráfico

Dados oficiais mostram que cocaína chega pelos portos do Pacífico, enquanto operações no Caribe miram desestabilizar Maduro
18 de outubro de 2025
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Trump e Maduro - DC
Trump e Maduro - DC
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Relatórios de inteligência dos Estados Unidos e da ONU revelam que as ações militares ordenadas por Donald Trump contra a Venezuela carecem de fundamentos concretos relativos ao tráfico de drogas. Informações exclusivas do colunista Jamil Chade, do UOL, apontam contradições entre os argumentos oficiais do governo americano e dados oficiais sobre rotas do narcotráfico.

Rotas do narcotráfico predominam pelo Pacífico, não Caribe

Documentos oficiais indicam que as principais rotas para transporte de cocaína passam pelo Oceano Pacífico, não pelo Caribe, região onde milhares de soldados americanos foram mobilizados em operações militares.

Segundo o último informe da DEA (Agência Antidrogas dos EUA), cerca de 84% da cocaína apreendida tem origem na Colômbia, e o relatório praticamente omite a Venezuela como rota significativa no tráfico internacional.

Dados da própria administração Trump confirmam que 74% das drogas entrando nos EUA passam pela América do Sul pelo Pacífico, enquanto apenas uma pequena fração utiliza o Caribe.

O relatório anual da ONU, divulgado em Viena, corrobora esse cenário, apontando que portos do Peru, Colômbia, Equador e países da América Central, todos com saída para o Pacífico, são as principais fontes para o tráfico de cocaína. O documento destaca que essa rota ganhou relevância a partir de 2019, quando o governo de Nicolás Maduro teria aumentado os preços, tornando a Venezuela menos atraente para cartéis.

Operações americanas confirmam foco no Pacífico

Mesmo o governo Trump reconhece o protagonismo da rota do Pacífico em suas operações. Em outubro, o Departamento de Segurança Interna elogiou os resultados da Operação Pacific Viper, que interceptou mais de 45 toneladas de cocaína desde agosto, todas apreendidas na região do Pacífico latino-americano, distante do Caribe.

No mesmo período, a Guarda Costeira dos EUA realizou a maior apreensão de drogas da sua história a bordo do navio Hamilton, em Everglades, Flórida. Foram confiscadas 34 toneladas de drogas avaliadas em US$ 473 milhões, incluindo 27 toneladas de cocaína e 6,5 toneladas de maconha.

Objetivo real: desestabilizar o regime de Maduro

Analistas diplomáticos e de inteligência avaliam que o bloqueio naval e as operações no Caribe não visam primordialmente o combate ao narcotráfico. O verdadeiro propósito seria fragilizar o governo de Nicolás Maduro e fomentar divisões internas nas Forças Armadas venezuelanas, pilar fundamental do regime bolivariano.

Essa estratégia envolveria interceptações marítimas e possíveis ataques aéreos em território venezuelano, buscando minar o apoio militar ao governo, enfraquecer sua base de sustentação e acelerar a queda do presidente.

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