Como esperar sutileza no diálogo entre um ditador desesperado e um mordomo da política internacional? A conversa, datada de 21 de novembro e revelada pelo “New York Times” em 28 de novembro, foi devastadoramente rápida e direta. Trump, escorregando entre a cortesia e o ultimato, não teve tempo para negociações suaves.
Maduro tentou vender seu abandono do poder com garantia de amnistia total para si e familiares. A contrapartida? Saída imediata da Venezuela, salvo-conduto seguro para ele, sua esposa Cilia Flores e seu filho, um pedido simples para quem insiste em manter um regime falido.
Os pontos de ruptura são tão claros quanto uma arena de gladiadores políticos:
No primeiro round, a amnistia solicitada por Maduro foi prontamente recusada.
No segundo, a pretensão de manter o controle das forças armadas, como se viu na Nicarágua em 1991, foi vetada.
E no terceiro, o cronograma: Washington exigiu saída imediata; Caracas nem sequer cogitou.
Segundo a Reuters, o telefonema foi um curto adeus. O presidente dos Estados Unidos fez um ultimato sem meias palavras e não se curvou às exigências do líder chavista. A mensagem é clara, embora pouco encantadora.
Na conversa, Maduro quis parecer o leão que ainda ruge, pedindo a eliminação de sanções que pesam sobre ele e associados, além da suspensão dos processos internacionais que o ameaçam efetivamente.
Repousando sobre esse panorama, o regime chavista teria recusado entregar o poder ao opositor Edmundo González de imediato. Ao invés disso, Maduro sugeriu que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumisse a interinidade. Uma jogada audaciosa ou desespero mascarado, quem vai dizer?
Apesar da rigidez, a troca de mensagens não encerrou o diálogo de vez: há rumores de um novo telefonema marcado, com possibilidades tênues de uma saída negociada, mas recheada de obstáculos e vontades irreconciliáveis.
