Vai ter vídeo?

Justiça aceita denúncia que pode cassar mandato e deixar Nikolas Ferreira inelegível

Deputado bolsonarista é acusado de espalhar desinformação contra Fuad Noman nas eleições de BH; condenação pode levar à perda de mandato e direitos políticos
Nikolas Ferreira chorou no palco do Fórum das Liberdade. Foto: Divulgação
Nikolas Ferreira chorou no palco do Fórum das Liberdade. Foto: Divulgação
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Belo Horizonte, 25 de julho de 2025 – O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e outros três membros do Partido Liberal se tornaram réus nesta sexta-feira, após a Justiça Eleitoral de Minas Gerais aceitar denúncia do Ministério Público por calúnia e difamação contra o ex-prefeito Fuad Noman durante a campanha de 2024. Os réus podem perder seus mandatos e direitos políticos, caso sejam condenados.

Estratégia de desinformação mirava segundo turno em BH

A denúncia, apresentada pelo Ministério Público Eleitoral, sustenta que Nikolas Ferreira, os deputados estaduais Bruno Engler (PL) e Delegada Sheila (PL), além de Cláudia Araújo Romualdo – conhecida como Coronel Cláudia, candidata a vice na chapa de Engler – atuaram em conjunto para difamar o então prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD), que concorria à reeleição.

Segundo o MP, a campanha de Engler e Cláudia, derrotada no segundo turno por Noman, articulou uma série de conteúdos falsos e distorcidos nos dias finais do pleito, com o objetivo de influenciar o eleitorado. Um dos episódios mais graves envolveu Nikolas Ferreira, que publicou um vídeo distorcendo um trecho de uma obra de ficção escrita por Noman, insinuando falsamente que o ex-prefeito promovia crime hediondo.

A deputada estadual Delegada Sheila também compartilhou conteúdo semelhante, encerrando o vídeo com pedido explícito de votos para o candidato do PL.

Reincidência e desobediência a ordens judiciais

A Justiça Eleitoral ordenou a remoção imediata do vídeo de Nikolas Ferreira, mas o parlamentar, em vez de cumprir a decisão, publicou novo conteúdo atacando o próprio Judiciário. O promotor responsável classificou a atitude como “dolo intenso e persistente”, ressaltando o objetivo claro de manter a desinformação ativa às vésperas do segundo turno.

O juiz Marcos Antônio da Silva, da 29ª Zona Eleitoral de Belo Horizonte, aceitou a denúncia e fixou prazo de dez dias para que os acusados se manifestem e apresentem suas defesas. A decisão abre caminho para um processo que pode culminar na cassação de mandatos e inelegibilidade dos réus, caso haja condenação definitiva.

Suspensão de direitos políticos e indenização

Além das punições eleitorais, o Ministério Público de Minas Gerais também pediu que os réus arquem com indenizações por danos morais, a serem revertidas a instituições de caridade, conforme vontade expressa pela família de Fuad Noman. O ex-prefeito faleceu em março de 2025, poucos meses após reassumir o cargo.

A eventual suspensão dos direitos políticos de Nikolas Ferreira e seus correligionários abriria um novo capítulo na crise do bolsonarismo em Minas Gerais, onde o grupo vinha consolidando espaço institucional.

Perguntas e Respostas

Quem são os réus da ação eleitoral em Minas Gerais?
Nikolas Ferreira (deputado federal), Bruno Engler (deputado estadual), Delegada Sheila (deputada estadual) e Cláudia Araújo Romualdo (Coronel Cláudia), candidata a vice-prefeita.

Por que foram denunciados?
Por calúnia e difamação contra Fuad Noman durante a eleição de 2024, por meio de conteúdos falsos e ataques pessoais.

O que pode acontecer se forem condenados?
Perda de mandato, suspensão de direitos políticos e pagamento de indenização.

Qual foi o papel de Nikolas Ferreira?
Publicou vídeo com distorção de obra ficcional de Noman, relacionando o ex-prefeito a crime hediondo. Desobedeceu ordem judicial para remover o conteúdo.

Qual a relevância política da decisão?
Abertura do processo fragiliza a presença do bolsonarismo no cenário mineiro e pode inviabilizar candidaturas futuras no PL.

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