Partido Inútil e Chantagista

PL ameaça Alcolumbre e Hugo Motta

Bolsonarismo radical reage à ofensiva judicial e mira cúpula do Congresso com discurso de ruptura e pressão digital

JR Vital - Diário Carioca
Por
JR Vital
JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
- Editor e analista geopolítico
Davi Alcolumbre e Hugo Motta - Foto: Agência Senado

Brasília, 25 de julho de 2025 — Setores radicais do PL anunciaram ofensiva contra Davi Alcolumbre e Hugo Motta, após operação da Polícia Federal que aprofundou o cerco a Jair Bolsonaro.


Bolsonarismo volta a atacar instituições e aposta em tensão permanente

A nova escalada do PL confirma o alinhamento de parte significativa do partido com estratégias de confronto institucional. A sigla decidiu mirar diretamente os presidentes do Senado e da Câmara, Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB), acusando-os de cumplicidade por não reagirem à ofensiva judicial contra Jair Bolsonaro. A iniciativa é liderada por deputados bolsonaristas insatisfeitos com a postura do Congresso diante das investigações conduzidas pela Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal.

Tática bolsonarista mira impeachment e anistia

A ofensiva digital e a retórica de confronto giram em torno de três eixos: a exigência de anistia para os condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro, o fim do foro privilegiado e a abertura de processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes. Alcolumbre é o principal alvo: o grupo pressiona para que os pedidos de impeachment que tramitam no Senado sejam levados à votação — algo que, até o momento, não passou de ameaça retórica.

Motta, por sua vez, passou a ser atacado após manter o recesso legislativo mesmo diante das ações da PF. Os bolsonaristas, que alegam urgência institucional, exigem o fim do recesso e a convocação de sessões extraordinárias para enfrentar o Judiciário, em uma tentativa de inverter a lógica da responsabilização que paira sobre Bolsonaro.

Resistência interna e risco de isolamento

Dentro do próprio PL, a tática não é consensual. Parte da bancada teme que o confronto direto com Alcolumbre e Motta possa aprofundar o isolamento político da legenda no Congresso, prejudicando a governabilidade dos parlamentares em seus estados e minando a possibilidade de diálogo com outras forças.

Ainda assim, a ala bolsonarista segue determinada a transformar a crise em capital político, inspirando-se em estratégias de intimidação já empregadas — inclusive por outros campos ideológicos. Como justificativa, citam a recente mobilização do governo Lula contra Hugo Motta durante a disputa sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), omitindo o fato de que o governo petista operou com base institucional e apoio congressual, e não em ameaças ou retórica antidemocrática.


Quadro de Perguntas e Respostas

Por que o PL ameaça Alcolumbre e Hugo Motta?
O partido acusa os presidentes do Congresso de se omitirem diante das decisões do STF e da Polícia Federal contra Jair Bolsonaro.

Qual é o objetivo da ala radical do PL?
Pressionar o Senado a votar pedidos de impeachment de ministros do STF e retomar pautas como o fim do foro privilegiado e a anistia aos golpistas de 8 de janeiro.

Quem está à frente da ofensiva?
A articulação é liderada pelo deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), aliado direto de Bolsonaro e líder do PL na Câmara.

A estratégia tem apoio dentro do partido?
Não totalmente. Há resistência de parlamentares que temem que o PL se isole politicamente no Congresso ao adotar uma linha de confronto direto.

A pressão sobre o Congresso tem chance de sucesso?
Até agora, não há indícios de que Alcolumbre ou Motta cederão à pressão. Os pedidos de impeachment continuam engavetados no Senado.

- Publicidade -
JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
Seguir:
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.