Brasília — 7 de agosto de 2025 — O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) recuou publicamente nesta quinta-feira (7) e negou ter havido qualquer pacto entre a oposição e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para avançar com pautas como o fim do foro privilegiado e a anistia aos golpistas do 8 de janeiro de 2023. Em discurso no plenário, o parlamentar pediu desculpas ao colega e afirmou que agiu sob “abalo emocional”.
Sóstenes diz que errou e pede “perdão” a Hugo Motta
Em tom conciliador, o líder do Partido Liberal (PL) afirmou que não houve chantagem, nem acordo prévio, ao contrário do que havia alegado no dia anterior.
“Num dia como ontem, não há vencedores ou vencidos. O presidente Hugo não foi chantageado por nós e não assumiu compromisso com nenhuma pauta. Os líderes que o fizeram foram PSD, União Brasil e Progressistas”, declarou o bolsonarista, segundo o O Globo.
Sóstenes também pediu recondução política da Câmara, criticou o comportamento de aliados e mencionou o episódio em que a deputada de esquerda teria agredido Nikolas Ferreira (PL-MG) — sem especificar nomes ou apresentar provas. Ainda assim, afirmou que o PL não irá representar contra a parlamentar envolvida.
“Eu não fui correto e te peço perdão, presidente. Estávamos emocionalmente desestruturados. Esta Casa precisa de recondução. Peço desculpas a todos, se fui indelicado.”
Um dia antes, líder do PL havia falado em “compromisso construído”
Na véspera, o discurso de Sóstenes Cavalcante foi de confronto. Ele disse, no plenário da Câmara, que havia sido firmado um acordo político para pautar projetos de interesse da extrema direita.
“O presidente Hugo Motta pediu aos líderes aqui representados. Teria sido construído um compromisso de que, na próxima semana, abriremos os trabalhos pautando a mudança do foro privilegiado para tirar a chantagem que muitos parlamentares vêm sofrendo por parte de alguns ministros do STF.”
A fala gerou forte reação de parlamentares do centro e da base do governo, que acusaram Sóstenes de manipular a fala do presidente da Câmara para obter vantagens políticas em meio à crise que atinge o bolsonarismo.
Oposição abre mão de cargos na Mesa após reunião com Lira e Motta
Após o episódio, lideranças do PL e de partidos do Centrão se reuniram com o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e, em seguida, foram ao gabinete de Hugo Motta, acompanhados pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado.
Na saída, os parlamentares anunciaram no plenário que deixariam os cargos ocupados pela oposição na Mesa Diretora da Câmara. A decisão, inicialmente contestada, foi consolidada como parte de uma tentativa de acalmar os ânimos e evitar novos embates públicos.
Entenda o caso: qual foi a polêmica entre Sóstenes e Hugo Motta?
Houve pacto entre oposição e presidência da Câmara?
Não. Após a crise política no plenário, Sóstenes Cavalcante reconheceu que não houve acordo entre a oposição e o presidente da Casa para pautas como foro e anistia.
Por que Sóstenes pediu desculpas?
O deputado bolsonarista admitiu ter se excedido e pediu “perdão” a Hugo Motta, afirmando que o ambiente estava emocionalmente carregado.
O que motivou a crise?
A oposição tentou pressionar o presidente da Câmara a pautar projetos de interesse da extrema direita, incluindo anistia aos golpistas do 8 de janeiro. A estratégia não funcionou e causou constrangimento no plenário.
Qual o papel do PL e de Nikolas Ferreira?
O PL protagonizou a obstrução das votações e Nikolas Ferreira foi citado por Sóstenes como alvo de suposta agressão — sem provas.
O que mudou após a reunião com Arthur Lira?
Após articulação envolvendo Lira, Marinho e Motta, a oposição decidiu abrir mão de cargos na Mesa Diretora, em sinal de recuo político.
Recuo expõe isolamento bolsonarista e fragilidade da pauta da anistia
A retratação pública de Sóstenes Cavalcante é um sintoma do isolamento crescente do bolsonarismo no Congresso, especialmente após o avanço das investigações sobre os atos golpistas de 2023. A tentativa de pautar uma anistia ampla esbarra não apenas na resistência da base do governo, mas também em setores do centro que veem na proposta uma afronta ao Estado de Direito.
Com o recuo de Sóstenes, Hugo Motta ganha fôlego como mediador político da Casa, e o PL, já pressionado por denúncias, demonstra perda de controle sobre sua própria bancada. O episódio também reaquece o debate sobre limites da obstrução parlamentar e instrumentalização emocional do plenário, cada vez mais associada à radicalização bolsonarista.

