Justiça & Poder

Entre o devido processo e o clamor das ruas: Fachin rompe o silêncio sobre o imbróglio Toffoli-Master

Presidente do STF abandona a neutralidade protocolar para sinalizar que o tribunal vigia suas próprias sombras; entenda como o caso Banco Master tensiona a cúpula do Judiciário e redefine os limites da autoproteção ministerial.
chin e Caso Banco Master: Presidente do STF endurece tom sobre Dias Toffoli
chin e Caso Banco Master: Presidente do STF endurece tom sobre Dias Toffoli
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O Supremo Tribunal Federal, esse Olimpo de mármore e silêncios calculados, vive sob a regência de um Edson Fachin que, enfim, decidiu que a omissão é um luxo que a atual conjuntura não permite.

Ao declarar que “não ficará de braços cruzados” diante das nuvens que pairam sobre a relatoria do ministro Dias Toffoli no caso Banco Master, o presidente da Corte não apenas emite uma frase de efeito; ele tenta estancar uma hemorragia de credibilidade que ameaça manchar a própria instituição.

A metamorfose do discurso

Há uma semana, o tom era de blindagem. Fachin, agindo como o guardião dos ritos, apressou-se em assinar uma nota que lia-se como um salvo-conduto para Toffoli.

Mas o Direito, essa ciência que no Brasil flerta constantemente com a conveniência, mostrou que a pressão externa — seja ela mediática ou política — possui um peso que nenhuma nota de rodapé consegue ignorar. A mudança de postura, revelada em entrevista ao Globo, sugere que o “devido processo legal” agora exige, também, o “devido esclarecimento moral”.

Atos não jurisdicionais: o ponto cego

A sutileza da fala de Fachin reside na distinção entre o ato de julgar e a conduta de bastidor. Ao mencionar que parte das condutas envolve atos “não jurisdicionais”, o ministro abre uma fresta perigosa: a de que o Supremo pode, sim, escrutinar o comportamento de seus pares quando estes descem do pedestal da sentença para transitar nos labirintos da administração e das relações extrajudiciais. É o reconhecimento implícito de que a toga não é um escudo absoluto contra a transparência.

O Banco Master e o tabuleiro do Poder

O caso envolvendo o Banco Master não é apenas mais uma peça no xadrez corporativo; é o catalisador de um debate sobre a independência dos relatores no STF. Fachin sabe que, ao se recusar a cruzar os braços, ele assume o risco de um confronto interno inédito.

Mas sabe, primordialmente, que um tribunal que se recusa a olhar para si mesmo perde o direito de julgar os outros. A era da autoproteção incondicional parece ter encontrado o seu limite no pragmatismo de quem preside uma Corte sob cerco constante.

JR Vital

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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