O ministro Flávio Dino pediu um aparte à ministra Cármen Lúcia para comentar a repercussão internacional da violência política. Ele citou a morte de Charlie Kirk, ativista conservador dos EUA e aliado de Donald Trump, como exemplo de que anistia não garante pacificação.
— “Ontem, anteontem, infelizmente houve um grave crime político. Um jovem, que é de uma posição política aparentemente do lado do atual presidente dos Estados Unidos, mas pouco importa, levou um tiro. E é curioso notar, porque há uma ideia segundo a qual anistia, perdão, é igual a paz. E foi feito perdão nos Estados Unidos. E não há paz”, disse Dino.
O ministro ainda destacou que a verdadeira paz só é alcançada quando as instituições funcionam plenamente:
— “O que define a paz que nós sempre devemos buscar não é a existência do esquecimento. Às vezes a paz se obtém pelo funcionamento adequado das instâncias repressivas do Estado”, completou.
Relação com o Brasil
A fala de Dino foi interpretada como uma resposta ao movimento de aliados de Jair Bolsonaro, que defendem anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. O ministro deixou claro que a estabilidade democrática depende da responsabilização judicial, e não do esquecimento de crimes contra o Estado de Direito.
Pressões externas
A declaração também foi lida como recado à pressão do governo Trump, que vem criticando o julgamento no STF. Após gestões do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, a Casa Branca intensificou ataques à Justiça brasileira, alegando cerceamento da liberdade de expressão.
Quem era Charlie Kirk
- Fundador da Turning Point USA, organização conservadora juvenil criada em 2012.
- Figura influente dentro do Partido Republicano, com forte aproximação de Donald Trump.
- Tinha 31 anos e liderava campanhas em universidades contra políticas progressistas.
- Foi baleado no pescoço durante evento em Utah e não resistiu.
Sua morte teve grande repercussão internacional e foi citada por Dino como exemplo de que violência política persiste mesmo onde houve medidas de perdão.

