Morte de extremista nos EUA mostra como anistia não traz paz, diz Flávio Dino

Segundo o ministro, perdoar crimes contra a democracia não garante paz, mas sim o fortalecimento das instituições.
Flávio Dino durante julgamento da trama golpista. Foto: reprodução
Flávio Dino durante julgamento da trama golpista. Foto: reprodução
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O ministro Flávio Dino pediu um aparte à ministra Cármen Lúcia para comentar a repercussão internacional da violência política. Ele citou a morte de Charlie Kirk, ativista conservador dos EUA e aliado de Donald Trump, como exemplo de que anistia não garante pacificação.

“Ontem, anteontem, infelizmente houve um grave crime político. Um jovem, que é de uma posição política aparentemente do lado do atual presidente dos Estados Unidos, mas pouco importa, levou um tiro. E é curioso notar, porque há uma ideia segundo a qual anistia, perdão, é igual a paz. E foi feito perdão nos Estados Unidos. E não há paz”, disse Dino.

O ministro ainda destacou que a verdadeira paz só é alcançada quando as instituições funcionam plenamente:

“O que define a paz que nós sempre devemos buscar não é a existência do esquecimento. Às vezes a paz se obtém pelo funcionamento adequado das instâncias repressivas do Estado”, completou.


Relação com o Brasil

A fala de Dino foi interpretada como uma resposta ao movimento de aliados de Jair Bolsonaro, que defendem anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. O ministro deixou claro que a estabilidade democrática depende da responsabilização judicial, e não do esquecimento de crimes contra o Estado de Direito.


Pressões externas

A declaração também foi lida como recado à pressão do governo Trump, que vem criticando o julgamento no STF. Após gestões do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, a Casa Branca intensificou ataques à Justiça brasileira, alegando cerceamento da liberdade de expressão.


Quem era Charlie Kirk

  • Fundador da Turning Point USA, organização conservadora juvenil criada em 2012.
  • Figura influente dentro do Partido Republicano, com forte aproximação de Donald Trump.
  • Tinha 31 anos e liderava campanhas em universidades contra políticas progressistas.
  • Foi baleado no pescoço durante evento em Utah e não resistiu.

Sua morte teve grande repercussão internacional e foi citada por Dino como exemplo de que violência política persiste mesmo onde houve medidas de perdão.

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