O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou a se destacar no Congresso, mas não por iniciativas em defesa da sociedade. Depois de articular contra a instrução normativa que buscava restringir a lavagem de dinheiro do PCC via fintechs, agora o parlamentar dedica seus esforços à defesa de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que garante blindagem a parlamentares acusados de crimes.
Prioridades invertidas
A atuação de Nikolas reforça uma trajetória em que o enfrentamento ao crime organizado e à corrupção é colocado em segundo plano. Enquanto especialistas alertavam para os riscos de abertura financeira utilizada por facções criminosas, o deputado mobilizou sua base contra a norma.
Agora, ao defender a PEC, sinaliza que sua prioridade é proteger a classe política da responsabilização judicial, enfraquecendo os instrumentos de combate à impunidade.
O impacto da proposta
Se aprovada, a PEC representaria um retrocesso institucional, criando escudos legais para parlamentares envolvidos em ilícitos e dificultando a atuação da Justiça. O movimento é visto por analistas como parte de uma estratégia de setores do Congresso para ampliar privilégios e reduzir a responsabilização de políticos investigados.
Nikolas e o projeto de poder do bolsonarismo
Alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, Nikolas Ferreira reproduz a lógica de vitimização e blindagem política que marcou o bolsonarismo: atacar órgãos de controle, desacreditar investigações e enfraquecer o combate à corrupção quando este atinge aliados.
Com essa postura, o deputado mineiro expõe uma contradição: enquanto se apresenta como defensor da moral e dos “valores cristãos”, atua, na prática, para proteger criminosos de colarinho branco e colegas de plenário.
