Essa era a prioridade

Hugo Motta articula votação do IR após ir contra o povo

Por ● Fato Verificado JR Vital — Analista Geopolítico Leia também Relatório da PF isenta empresária ligada a filho de Lula de envolvimento em fraudes no INSS Em delírio, bolsonarista diz que raio em ato de Nikolas Ferreira foi “armação da esquerda” JR Vital Analista Geopolítico Jornalista do Diário Carioca. 𝕏 in Publicado em 18/09/2025 · Atualizado em 17/01/2026 O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou ao Palácio do Planalto que pretende destravar a votação do projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda na próxima semana. As informações são da CNN Brasil. O gesto ocorre após a Câmara ter
Hugo Motta - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Hugo Motta - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O presidente da Câmara dos DeputadosHugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou ao Palácio do Planalto que pretende destravar a votação do projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda na próxima semana. As informações são da CNN Brasil.

O gesto ocorre após a Câmara ter aprovado, na noite de quarta-feira (17), o regime de urgência para o projeto de anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 – uma derrota significativa para o governo Lula.

O assunto deve ser o tema principal da reunião de líderes marcada para terça-feira (23), onde Motta promete levar o relator da proposta, Arthur Lira (PP-AL), para explicar o parecer aos parlamentares. A manobra é vista como um “prêmio de consolação” ao governo após a vitória do bolsonarismo na pauta da anistia, que segue sob relatoria de Paulinho da Força (Solidariedade-SP).

Projeto do IR: promessa de campanha e impasse fiscal

PL do Imposto de Renda é uma das prioridades do governo Lula e peça-chave em sua estratégia para a reeleição em 2026. A proposta isenta do tributo quem ganha até R$ 5 mil mensais e amplia os descontos progressivos para faixas de até R$ 7.350. O custo fiscal é estimado em R$ 25 bilhões, e o impasse sobre como compensar essa renúncia é o principal entrave para sua votação.

O texto de Lira mantém a taxação de 10% para quem ganha entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhão por ano, conforme proposto originalmente pelo governo. A oposição, no entanto, já adiantou que não facilitará a tramitação: o líder do PLSóstenes Cavalcante (RJ), prometeu apresentar uma emenda para ampliar a isenção para quem ganha até R$ 10 mil e derrubar o imposto sobre dividendos como contrapartida.

Disputa política e rivalidade em Alagoas

A lentidão na votação do projeto na Câmara levou o Senado a retomar a discussão de uma proposta similar, de autoria do senador Eduardo Braga (MDB-AM), que será relatada por Renan Calheiros (MDB-AL). Calheiros é rival político declarado de Arthur Lira, e ambos devem concorrer ao Senado por Alagoas em 2026.

Enquanto aliados de Lira atribuem a demora na votação ao “conflito constante” vivido pela Casa e à complexidade da compensação fiscal, Renan Calheiros acusa a gestão Motta-Lira de usar o projeto como “ferramenta de chantagem” para incluir outros temas na pauta. O senador prometeu um “calendário enxuto” para a tramitação da proposta no Senado, pressionando a Câmara a agir.

Contexto de derrota e pressão sobre o governo

A aprovação da urgência da anistia na Câmara por 311 votos a 163 representou uma forte derrota para o governo, que viu o Centrão e a oposição bolsonarista se unirem em torno da pauta. O clima ficou ainda mais tenso com a PEC da Blindagem, que amplia a proteção de parlamentares no STF e foi aprovada pela Câmara na terça-feira (16) por larga maioria.

Líderes da base governista avaliam que o gesto de Motta em relação ao IR é uma tentativa de equilibrar as relações com o Planalto após essas derrotas consecutivas. No entanto, a votação do projeto de anistia – que pode incluir redução de penas para condenados nos atos golpistas, incluindo Jair Bolsonaro – segue como um espinho na agenda do governo.

Implicações e próximos passos

A tramitação do IR está diretamente ligada às disputas políticas entre LiraRenan e o governo Lula. Enquanto a proposta não avança, 10 milhões de trabalhadores aguardam a prometida redução da carga tributária. O governo já sinalizou que, em caso de nova demora, pode editar uma medida provisória para garantir a isenção ainda em 2025.

A reunião de líderes de terça-feira (23) será decisiva para definir o destino da proposta. Se Motta cumprir o prometido, o plenário da Câmara poderá votar o texto ainda na próxima semana – mas a compensação fiscal e as emendas da oposição ainda são obstáculos a superar

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