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Fintech ligada ao PCC tinha contratos com Exército e Congresso

Por JR Vital Analista Geopolítico

Fintech sob investigação bilionária

A fintech BK Bank, apontada como braço financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi alvo da Operação Spare, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (25).

Investigada também na Operação Carbono Oculto, a instituição é suspeita de movimentar mais de R$ 17,7 bilhões em recursos ilícitos ligados a jogos de azar e combustíveis adulterados.

Antes de se tornar alvo das investigações, o BK Bank firmou contratos com órgãos federais como Correios, Exército, Câmara, Senado e com a Prefeitura de Ribeirão Preto (SP).


Contratos com órgãos públicos federais

Em 2021, ainda sob o nome Berlin Finance, a fintech venceu licitação para operar pagamentos em agências dos Correios. Após a primeira operação, o contrato foi suspenso. Pouco depois, em agosto de 2025, a empresa assinou acordo de R$ 18 mil com o Exército, para fornecimento de maquininhas de cartão em bibliotecas. Menos de um mês depois, tornou-se alvo da Operação Spare, levando a Força a abrir processo administrativo.

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O Serpro também contratou a fintech em maio de 2025, num acordo de R$ 271,9 mil, mas rescindiu após o avanço das investigações. Na Câmara dos Deputados, contrato assinado em maio de 2025 previa serviços até 2027. Após a operação da PF, a Casa suspendeu pagamentos e iniciou rescisão unilateral.

No Senado Federal, o vínculo se mantinha desde 2020, prorrogado sucessivas vezes. O último aditivo foi assinado em 26 de agosto de 2025, apenas dois dias antes da deflagração da operação, com valor anual de R$ 34 mil.


Vínculos municipais em Ribeirão Preto

Na esfera municipal, a fintech operou contratos milionários em saúde e transporte em Ribeirão Preto (SP). A empresa pública de trânsito RP Mobi pagou mais de R$ 3 milhões ao BK Bank entre 2023 e 2025 para gerenciar pagamentos com cartão. A Secretaria de Saúde firmou contrato de quase R$ 3,2 milhões para cartões de benefício vale-fralda.


Elo com duas operações

Segundo o Ministério Público, a fintech atuava como banco paralelo do PCC, captando recursos e ocultando a origem ilícita do dinheiro. Na Operação Carbono Oculto, já havia sido associada ao uso de “contas bolsão” para dificultar rastreamento.

Na Operação Spare, investigadores identificaram movimentações financeiras idênticas em postos de combustíveis, todas destinadas ao BK Bank. Empresas de fachada como Zangão Intermediações, Optimus Intermediações, Athena Intermediações e Cangas Intermediações foram citadas como parte da rede de ocultação.


Volume bilionário sob suspeita

As investigações apontam que a fintech movimentou R$ 17,7 bilhões em créditos e débitos com empresas ligadas ao PCC. Outra frente revela que postos de combustíveis intermediados pelo BK Bank movimentaram R$ 54 bilhões, mas declararam apenas 0,17% em tributos — percentual incompatível com o regime de lucro real.

Até a última atualização, BK Bank, Exército e Senado não haviam se manifestado.


JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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