Desigualdade Fiscal

Lindbergh convoca mobilização contra manobra bolsonarista para “livrar” super-ricos de taxação

O parlamentar denunciou a tentativa de "livrar os super-ricos" da compensação fiscal, defendendo o projeto como um ato de justiça tributária.
Lindbergh Farias (RJ) - Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Lindbergh Farias (RJ) - Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O deputado federal e líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), convocou mobilização nacional nesta quarta-feira, 1º de outubro de 2025, em Brasília, para pressionar pela aprovação da isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil, enquanto alertou para a “armadilha” de deputados bolsonaristas que tentam, por meio de manobras na Câmara dos Deputados, isentar a taxação dos super-ricos, sabotando o projeto de justiça fiscal proposto pelo Poder Executivo. O Projeto de Lei nº 1.087/25, pautado para votação pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), visa corrigir uma histórica injustiça social, mas enfrenta a resistência do setor mais conservador do Congresso, focado em proteger as maiores fortunas do país.


O Contexto da Justiça Fiscal e a Urgência da Isenção do Imposto de Renda

A proposta de isentar o IR para salários de até R$ 5 mil é uma das bandeiras centrais da atual gestão, que busca aliviar o peso da carga tributária sobre a classe trabalhadora. Historicamente, o sistema tributário brasileiro é regressivo, penalizando o consumo e a renda da base da pirâmide social, enquanto as grandes fortunas e rendas do capital contam com inúmeros mecanismos de isenção ou taxação branda. O custo da isenção, estimado em R$ 25,8 bilhões anuais, seria integralmente compensado, segundo o projeto, com o aumento da taxação sobre quem ganha acima de R$ 600 mil por ano, configurando uma medida fundamental de justiça tributária.

Lindbergh Farias classificou como “demagogia” o discurso bolsonarista que prega uma isenção ainda maior, sem apontar a devida compensação, o que desidrataria o projeto e inviabilizaria a medida. Para ele, a votação desta quarta-feira representa a primeira vez em que será possível, de fato, fazer justiça tributária no país.

Contradições: Quem Paga a Conta da Isenção do Imposto de Renda?

O alerta de Lindbergh Farias sobre a movimentação bolsonarista visa expor a contradição central da direita: enquanto afirmam defender a redução de impostos, as táticas empregadas na Câmara miram garantir que a compensação fiscal não atinja seus aliados mais ricos. A “sabotagem” denunciada pelo líder petista busca esvaziar a taxação das grandes rendas e fortunas, fazendo com que o ônus da isenção recaia sobre outras áreas, ou simplesmente impedindo que a medida de justiça tributária avance.

Por outro lado, o projeto original, enviado em março pelo Poder Executivo, estabelece um caminho claro: os mais ricos devem pagar a conta, em uma lógica de solidariedade social e redistribuição de renda. Além disso, a insistência dos bolsonaristas no discurso genérico de que “todos pagam muito imposto” ignora a diferença do peso real que o sistema tributário exerce sobre o trabalhador de baixa renda e sobre o capitalista, que muitas vezes é isento de impostos sobre dividendos e grandes heranças.


O Reforço da Autoridade e a Luta por Justiça Tributária

A clareza e a firmeza na defesa da proposta demonstram a experiência do PT e de seu líder na Câmara em pautar temas de relevância social e econômica. A luta pela isenção do IR e a consequente taxação das grandes fortunas é um pilar do viés progressista, buscando equilibrar as contas públicas com a promoção de maior igualdade social. Este cenário político evidencia a urgência de debater quem de fato financia o Estado brasileiro.

O sucesso na votação do PL nº 1.087/25 será crucial para o avanço da agenda social e econômica do país, enfrentando a inércia e os privilégios históricos. Contudo, a mobilização da sociedade civil é vista como essencial para evitar que as manobras políticas, como as denunciadas por Lindbergh Farias, protejam os super-ricos e descaracterizem a intenção original de justiça tributária.

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