PF faz operação sobre fraudes no INSS no sindicato de irmão de Lula; Ele não é alvo das investigações

Ação cumpriu 66 mandados de busca e apreensão em oito estados; Frei Chico, vice-presidente do Sindnapi, não é investigado.
Frei Chico ao lado de foto do Lula. Foto: Reprodução
Frei Chico ao lado de foto do Lula. Foto: Reprodução
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico

Jornalista do Diário Carioca.

A Polícia Federal realizou nesta quinta-feira (9) uma operação de busca e apreensão no Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), em São Paulo, dentro das investigações sobre fraudes em descontos de benefícios do INSS.

Durante a ação, os agentes entraram na sala de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Lula (PT) e vice-presidente do sindicato, mas não vistoriaram seus pertences.

Segundo a coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, os policiais perguntaram qual era a mesa da secretária-geral Andreia Gato e realizaram a busca apenas na área usada por ela. Frei Chico divide o espaço com a colega, mas não é alvo formal da investigação.


Busca e apreensão no sindicato

A PF também apreendeu o computador do presidente do sindicato, Milton Cavalo, além de equipamentos e documentos da cooperativa de crédito vinculada à entidade.

Em declaração ao UOL, Frei Chico disse ter sabido da operação pela imprensa.

“Sem comentários. Se a polícia quiser vir aqui investigar, pode vir. Não tenho nada o que comentar”, afirmou, classificando as buscas como “absurdas”.

O porta-voz do Sindnapi, Marco Piva, afirmou que a entidade está “muito tranquila em relação a esse processo”.



Operação mira fraudes no INSS

A ação faz parte da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de inserção de dados falsos em sistemas do INSS para realizar descontos indevidos em aposentadorias.

Foram cumpridos 66 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro do STF André Mendonça em oito estados: São Paulo, Sergipe, Amazonas, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Pernambuco, Bahia e Distrito Federal.

Segundo a PF, o objetivo é aprofundar as investigações sobre crimes de organização criminosa, fraude em sistemas públicos e ocultação de patrimônio.

O Sindnapi é uma das entidades investigadas, mas não está entre as 12 consideradas pela AGU (Advocacia-Geral da União) como o núcleo central do esquema.


R$ 2,5 bilhões sob suspeita

As associações investigadas são acusadas de terem sido criadas com o “único propósito de praticar fraudes” e de pagar propinas a servidores públicos.
Em ação judicial, a AGU pede o bloqueio de R$ 2,5 bilhões das entidades suspeitas.

O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou ainda um aumento expressivo no número de associados do Sindnapi, que passou de 237 mil em 2021 para 366 mil em 2023.

Antes de ocupar a vice-presidência do sindicato, Frei Chico atuou como diretor, acompanhando processos de anistia de trabalhadores perseguidos durante a ditadura militar.

Apesar da operação, ele não foi mencionado como suspeito no inquérito, e sua mesa foi poupada da vistoria por não haver mandado específico contra ele.

📸 Viatura da Polícia Federal em frente ao prédio do Sindnapi, no centro de São Paulo. Foto: Bruno Luiz/UOL


Nota do Sindnapi

Em nota, o Sindnapi declarou que defende uma investigação “séria e transparente” para “corrigir falhas e evitar que injustiças continuem acontecendo”.

Por volta das 9h, agentes da PF deixaram a sede do sindicato em São Paulo levando um malote. Dois veículos da corporação permaneceram na porta do prédio durante toda a manhã.

No local, participaram da ação quatro agentes da PF e dois da Controladoria-Geral da União (CGU).

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