Inimigos do Povo

Blindagem: Câmara aprova suspensão de ação penal contra Gustavo Gayer no STF

Por 268 votos a 167, deputados decidiram sustar o processo contra o parlamentar, acusado de calúnia e difamação por ataques a senadores e ministros do Supremo

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital
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Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
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Foto: © Lula Marques/Agência Brasil

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (15), por 268 votos a 167, o pedido de suspensão da ação penal contra Gustavo Gayer (PL-GO) que tramitava no Supremo Tribunal Federal (STF).

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O parlamentar é acusado de calúnia, injúria e difamação por declarações ofensivas feitas a senadores e ministros do Supremo em vídeo publicado em 2023.

A decisão, com base no artigo 53 da Constituição, impede o prosseguimento do processo enquanto Gayer exercer o mandato.


Entenda a votação

O pedido foi apresentado pelo Partido Liberal (PL), legenda de Gayer, e teve parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O relator Zé Haroldo Cathedral (PSD-RR) reconheceu que o discurso do deputado foi “grosseiro e inadequado”, mas considerou que as falas estão protegidas pela imunidade parlamentar.

O placar final registrou 268 votos a favor, 167 contrários e 4 abstenções. A decisão será comunicada ao Supremo Tribunal Federal, que deve suspender o andamento do processo e interromper a contagem da prescrição até o fim do mandato do parlamentar.


Acusações contra o deputado

A ação penal foi proposta em fevereiro de 2023 pelo senador licenciado Vanderlan Cardoso (PSD-GO), após Gayer publicar um vídeo nas redes sociais com críticas e ofensas a parlamentares e integrantes do Supremo.
Entre os citados estão Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), Rodrigo Pacheco (PSD-MG), Jorge Kajuru (PSB-GO) e o próprio Vanderlan.

A Primeira Turma do STF, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, aceitou a denúncia por unanimidade em novembro de 2024, levando o caso à fase de alegações finais.


Base constitucional da decisão

O artigo 53 da Constituição Federal determina que, ao receber denúncia por crime comum contra um parlamentar, o Supremo deve informar a respectiva Casa Legislativa, que pode autorizar ou sustar o processo em até 45 dias.

Com base nesse dispositivo, a Câmara decidiu que a ação ficará suspensa durante o mandato, mas sem extingui-la. Quando Gayer deixar o cargo, o processo poderá retomar seu curso normal.


Tensão entre os Poderes

A decisão ocorre em um momento de tensão entre o Legislativo e o Judiciário, especialmente após o debate da chamada “PEC da Blindagem” — proposta que previa autorização prévia do Congresso para que o STF pudesse abrir ações penais contra deputados e senadores.
A proposta acabou arquivada pelo Senado após forte reação pública e institucional, mas a votação desta quarta-feira reacende a discussão sobre os limites da imunidade parlamentar.

“Não há crime configurado, e a Constituição é clara ao garantir liberdade de opinião e palavra aos parlamentares”, afirmou o relator Zé Haroldo Cathedral.

Críticos da decisão, no entanto, apontam que a medida fragiliza o combate à desinformação e aos ataques a instituições democráticas, criando precedentes perigosos.


Repercussões políticas

Aliados de Gayer, um dos principais nomes da bancada bolsonarista, comemoraram o resultado como uma vitória da liberdade de expressão.
Por outro lado, senadores citados no vídeo, como Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco, consideraram a decisão um retrocesso institucional, o que pode aumentar o atrito entre Câmara e Senado.

“A Câmara tomou uma decisão política, não jurídica. Isso tensiona a relação com o Senado e o STF”, avaliou um parlamentar ouvido sob reserva.


Entenda o que muda com a suspensão

SituaçãoAntes da votaçãoDepois da votação
Processo no STFEm andamento, na fase de alegações finaisSuspenso até o fim do mandato
PrescriçãoCorrendo normalmenteInterrompida
Efeitos sobre o mandatoNenhumGayer segue no cargo sem restrições
Retomada do processoNão aplicávelRetoma após o fim do mandato

Contexto

O episódio reforça o debate sobre imunidade parlamentar e o alcance da liberdade de expressão no ambiente político. Nos últimos anos, o STF tem adotado uma postura mais rigorosa em relação a ataques e discursos de ódio feitos por parlamentares nas redes sociais, sob a justificativa de proteger as instituições democráticas.

Já o Congresso busca reafirmar sua autonomia, alegando que a crítica política deve ser preservada, mesmo quando feita de forma agressiva.

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JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.