Urgente é o Povo

Câmara aprova urgência para criar bancada cristã

Projeto formaliza representação parlamentar de evangélicos e católicos com assento e voto no colégio de líderes
Foto: Câmara dos Deputados
Foto: Câmara dos Deputados
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.


A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (22), com 398 votos favoráveis e 30 contrários, o requerimento de urgência para a votação do projeto de resolução que institui a bancada cristã. A medida permite que o projeto seja debatido e votado diretamente no plenário, sem passar pelas comissões, acelerando sua tramitação. A proposta formaliza a representação dos parlamentares cristãos — evangélicos e católicos — no Congresso Nacional, numa iniciativa similar às bancadas negra e feminina.

Proposta, lideranças e direitos da nova bancada

O projeto foi apresentado pelos presidentes das frentes parlamentares evangélica e católica, respectivamente Gilberto Nascimento (PSD-SP) e Luiz Gastão (PSD-CE). Caso aprovado, o líder da bancada cristã terá direito a voz e voto nas reuniões do colégio de líderes da Câmara, onde são definidas as pautas prioritárias e os projetos que serão levados ao plenário. Além disso, poderá indicar membros para compor as comissões, aumentando o peso político do grupo.

Segundo o requerimento aprovado, a criação da bancada reflete o reconhecimento de uma realidade política e social consolidada no Brasil, onde mais de 80% da população se declara cristã. O documento ressalta que a bancada buscará atuar de forma independente, mas em sintonia com as frentes evangélica e católica, mantendo suas atividades e pautas específicas.

Debate e controvérsias

A aprovação da urgência gerou debate acalorado no plenário. Parlamentares de esquerda criticaram a medida, apontando que ela violaria o caráter laico do Estado brasileiro. Deputados como Talíria Petrone (PSOL-RJ) defenderam que a fé é legítima, mas não pode se transformar em instrumento institucional de poder, temendo que a bancada se torne um agente para pautas conservadoras e retrógradas.

Por outro lado, líderes cristãos reforçaram que a bancada é plural e não se confunde com posições ideológicas rígidas. Para Luiz Gastão, a bancada busca apenas garantir que valores cristãos — especialmente aqueles relacionados à ética e moral — tenham representação legítima no processo legislativo, sem polarizar o cenário político em direita ou esquerda.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), prometeu um debate amplo e transparente sobre o tema antes da votação final da proposta, que ainda não tem data definida.

Impactos políticos e sociais

A criação da bancada cristã representa uma nova configuração política no Congresso, que pode impulsionar pautas sociais e culturais fundamentadas na fé, influenciando temas como direitos humanos, família e educação. Também reforça o papel das religiões organizadas na política brasileira, um fenômeno crescente e com impacto direto nas decisões legislativas.

Para o Diário Carioca, a formalização dessa bancada exige equilíbrio e vigilância para assegurar que o Estado mantenha sua natureza laica, e que o pluralismo seja respeitado em todas as suas formas, sem privilegiar convicções religiosas sobre direitos civis universais

Recomendadas