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Bolsonarista Lucas Bove vira réu por violência contra Cíntia Chagas

Deputado do PL-SP responderá por perseguição e violência psicológica contra a ex-mulher, influenciadora digital
Cíntia Chagas e Lucas Bove. Foto: reprodução
Cíntia Chagas e Lucas Bove. Foto: reprodução
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

A Justiça de São Paulo tornou réu o deputado estadual Lucas Bove (PL-SP) por violência doméstica e psicológica contra a ex-mulher, a influenciadora Cíntia Chagas.

A decisão foi proferida nesta terça-feira (4) e aceita a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), incluindo acusações de perseguição, agressão física e violência psicológica.

Embora tenha reconhecido a gravidade das condutas e o descumprimento de medidas protetivas, o magistrado negou o pedido de prisão preventiva formulado pelo MP, afirmando que a detenção “não seria adequada, necessária ou proporcional neste momento”.

Mesmo assim, o deputado foi multado em R$ 50 mil por violar decisões judiciais anteriores, como a proibição de comentar o caso nas redes sociais. Segundo o juiz, a penalidade visa garantir o cumprimento das medidas protetivas e coibir novas infrações.


Defesa e reação da vítima

Em nota, a defesa de Lucas Bove comemorou a negativa da prisão, afirmando que o parlamentar “finalmente poderá comprovar a mendacidade das acusações”. Os advogados também alegaram que Cíntia já teria feito acusações falsas em outro relacionamento.

Por outro lado, Cíntia Chagas classificou a decisão como um passo importante na responsabilização do ex-companheiro.

“A cada decisão processual que o contraria, ele elege um novo algoz. E agora? Acusará o juiz de quê? Eu continuo acreditando na Justiça. Ela existe neste país”, afirmou em nota.

A advogada da influenciadora, Gabriela Manssur, considerou o recebimento da denúncia “um marco na aplicação integral da Lei Maria da Penha”, destacando a importância de reconhecer a violência digital e institucional praticada contra mulheres.


Histórico das acusações

As denúncias vieram a público em setembro de 2024, quando Cíntia procurou a Polícia Civil para relatar agressões, perseguição e humilhações ocorridas durante o relacionamento de dois anos com o deputado.

De acordo com o depoimento, Bove insultava a ex-companheira, exigia provas de localização e, em um episódio, atirou uma faca que atingiu sua perna.
Após o fim do relacionamento, em agosto de 2024, a Justiça concedeu medidas protetivas a Cíntia.

O inquérito inicial da 3ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) havia descartado a violência física por falta de provas — decisão criticada pela defesa da vítima.
O Ministério Público, porém, ampliou a denúncia, incluindo também as agressões corporais.


Desdobramentos e repercussão

Nas redes sociais, Cíntia comemorou a decisão:

“Para quem duvidou: lesão corporal. Hoje, durmo aliviada. Sigo acreditando na Justiça.”

Ela afirmou que enfrentou “um ano e três meses de dor e coragem” e espera que o caso sirva de exemplo contra o silenciamento e a descredibilização de mulheres vítimas de violência.

Lucas Bove nega todas as acusações e responderá ao processo em liberdade, devendo cumprir integralmente as medidas protetivas e se abster de novas manifestações públicas sobre o caso.

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