A crise no PL catarinense ganhou novo fôlego após a deputada Ana Campagnolo (PL-SC) criticar duramente, em uma live no Instagram, o que chamou de “gabinete do ódio” ligado à família Bolsonaro. A parlamentar, que se opõe à pré-candidatura de Carlos Bolsonaro (PL-RJ) ao Senado por Santa Catarina, denunciou ataques virtuais e o tratamento desigual dentro do grupo bolsonarista.
Racha no bolsonarismo catarinense
A disputa interna do Partido Liberal (PL) em Santa Catarina se intensificou após Carlos Bolsonaro transferir sua pré-candidatura ao Senado para o estado. A decisão acabou excluindo a deputada Caroline de Toni (PL-SC), até então favorita entre lideranças locais. O movimento, visto por integrantes do partido como uma imposição direta da família Bolsonaro, gerou forte resistência.
Contrária à mudança, Ana Campagnolo tem defendido publicamente o cumprimento do pré-acordo entre PL e PP, que previa o apoio ao governador Jorginho Mello (PL) e à reeleição do senador Esperidião Amin (PP-SC). Segundo ela, a interferência de Carlos Bolsonaro desrespeita o pacto e enfraquece a coesão partidária.
Durante a transmissão, Campagnolo voltou a denunciar o uso de estruturas digitais bolsonaristas contra seus posicionamentos. Em tom crítico, a deputada questionou por que a militância bolsonarista direciona ataques a ela enquanto poupa aliados mais próximos da família Bolsonaro.
“Por que, para rifar o Amin, o Carlos fala sutilmente, mas para acabar comigo eles colocam toda a força do gabinete deles para trabalhar contra mim?”, afirmou a deputada, ao lado de Júlia Zanatta (PL-SC).
Troca de farpas e acusações públicas
O embate entre Campagnolo e Zanatta se agravou ao longo da transmissão, quando a primeira criticou a condução política da família Bolsonaro, afirmando que o ex-presidente Jair Bolsonaro enfrenta dificuldades judiciais em razão das “estratégias ruins” de seus filhos.
Zanatta, que apoia a candidatura de Carlos Bolsonaro e segue alinhada ao núcleo duro bolsonarista, rebateu as críticas, gerando um debate acalorado transmitido ao vivo. O senador Jorge Seif (PL-SC) também participou brevemente da live, sem conseguir amenizar as divergências.
As declarações revelam o enfraquecimento da unidade bolsonarista em Santa Catarina, um dos principais redutos eleitorais da direita no país. O racha ameaça comprometer alianças locais e expõe a dificuldade da família Bolsonaro em manter coesão interna mesmo em estados onde o apoio popular permanece elevado.
Impactos políticos e estratégicos
Analistas apontam que a crise evidencia o esgotamento do modelo centralizado de decisões no bolsonarismo. O conflito entre Ana Campagnolo, Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro ilustra a fragmentação crescente dentro do PL, partido que tenta equilibrar lealdades ao ex-presidente com disputas regionais por espaço político.
O episódio também repercute no plano nacional, pois o impasse catarinense pode refletir na articulação do PL com o PP e outras siglas conservadoras nas eleições de 2026. Enquanto isso, lideranças do partido buscam conter o desgaste público e preservar a imagem de unidade, cada vez mais abalada.

