Projeto Frankenstein

PL Antifacção: Derrite cede ao governo e apresenta 5ª versão

O destino da legislação sobre crime organizado será decidido nesta terça-feira (18). Relator incorporou perdimento de bens e audiências por vídeo, mas divergências sobre a Polícia Federal persistem.
Derrite
Foto: Reprodução
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O deputado federal Guilherme Derrite apresentou nesta terça-feira (18) a quinta versão do relatório do Projeto de Lei Antifacção, poucas horas antes de o tema retornar à pauta do plenário da Câmara para uma possível votação. Aliados do presidente da Casa, Hugo Mota, indicaram que a análise deve ocorrer ainda hoje, independentemente da posição final do Executivo.

As Novas Concessões ao Governo Federal

O novo relatório de Derrite incorporou mudanças cruciais solicitadas pelo governo, embora o relator tenha manifestado críticas por não ter sido procurado diretamente.

Entre os ajustes de maior impacto, destacam-se:

  • Perdimento Automático de Bens: Foi incluído o perdimento automático de bens apreendidos de organizações criminosas. Os valores e propriedades agora serão destinados à Polícia Federal ou às polícias estaduais.
  • Destinação de Recursos: A destinação dos recursos apreendidos será transferida para o Fundo Nacional de Segurança Pública, atendendo a uma demanda da própria corporação, diferentemente do texto anterior que previa o envio ao fundo de aparelhamento da PF.
  • Audiências por Videoconferência: O relatório passa a prever que as audiências de custódia serão realizadas preferencialmente por videoconferência. A mudança visa economizar os R$ 250 milhões em custos de transporte de presos, conforme levantamento do Ministério da Justiça.

Impasse: PF, Penas Mais Duras e Votação Forçada

Apesar das alterações, o núcleo da proposta permanece: endurecimento de penas, ampliação das atribuições das Polícias Civis Estaduais e ajustes nas competências de órgãos como a Receita Federal e o Banco Central.

Os governistas continuam a contestar trechos do projeto, alegando que ele reduz prerrogativas da Polícia Federal e diverge do texto original enviado pelo governo.

Mesmo com as divergências, o presidente da Câmara, Hugo Mota, mantém a intenção de pautar o projeto nesta terça-feira. A expectativa é de tentativas de novas modificações e intensos debates diretamente no plenário, enquanto o texto segue como uma das principais propostas de combate ao crime organizado no país.

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